O JACARÉ E O EMPREENDEDORISMO

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Jefferson-Praia-banner-500x167_lateralPreparar as pessoas para enfrentarem os desafios que a vida irá lhes impor, principalmente no mundo do empreendedorismo, é algo imprescindível nos dias atuais em nosso país. Por falta de orientação empreendedora no lar, nas escolas e universidades, as pessoas se deparam com oportunidades no mercado e as deixam escapar por não estarem preparadas para enfrentá-las.

Percebemos, no dia a dia, o quanto precisamos avançar no ensino de empreendedorismo nas escolas e universidades, para que as pessoas possam, de acordo com Fernando Dolabella – criador de programas de ensino de empreendedorismo no Brasil, “aprender a pensar e agir por conta própria, com criatividade, liderança e visão de futuro, para inovar e ocupar o seu espaço no mercado, transformando esse ato também em prazer e emoção”.

O meu envolvimento no universo do empreendedorismo vem de longe; por ter um pai empreendedor e vivido num ambiente empresarial desde criança, e depois trabalhado na empresa da família por muitos anos, aprendi sobre como lidar com as diversas situações que a vida me proporcionou.

Você deve estar se perguntando. “O que tudo isso tem a ver com o jacaré?” A história é a seguinte: criei meus filhos Jefferson e Lorena ensinando-os lições de empreendedorismo, sem que eles percebessem que eram momentos educativos. Eu e minha esposa ensinamos nossos filhos a terem responsabilidade, honestidade, ética, a sonhar, ter paixão, manter o foco, ter dedicação, saber lidar com o dinheiro, fazer poupança, trabalhar em grupo, ter sensibilidade em relação aos mais pobres; e, além disso, conhecer e respeitar a Amazônia. Fazemos isso nas horas das refeições, brincadeiras, passeios, e visitas ao meu trabalho.

Há 10 anos, em um domingo ensolarado, desses que temos em Manaus, decidimos ir a um balneário. Na volta para casa o clima mudou radicalmente; uma forte chuva de verão caiu na cidade. Ao chegarmos em casa, localizada próxima a uma maravilhosa área verde, fui abrir a garagem e me deparei com um réptil que no primeiro momento pensei que era uma Iguana-lagarto que pode chegar até 1,50m, mas não era. Era um jacaré e estava em frente da porta de entrada. Pequei um cabo de vassoura e tentei movê-lo de lugar. Enquanto eu lidava com o jacaré, juntou-se em frente de casa um pequeno grupo de crianças que ficaram assistindo atentamente àquela cena. O Jefferson tinha 11 anos e a Lorena 9. Eles conseguiram entrar em casa pela porta ao lado e apareceram, alguns minutos depois, com uma iniciativa que me surpreendeu: o Jefferson veio com um cartaz onde se lia: Pague R$ 1,00 e veja o jacaré de perto. A Lorena tinha outro: Pague R$ 2,00 e tire uma foto. Bem, o “vento inesperado” não durou muito, pois resolvi ligar para a Secretaria de Meio Ambiente do Município que de imediato mandou uma equipe resgatar o nosso personagem principal daquele fato. O biólogo que fazia parte da equipe disse que o jacaré era uma fêmea, adulta, de nome popular: jacaré-pedra. Depois de passar o susto, vi que o Jefferson e a Lorena perceberam uma boa oportunidade de ganhar algum dinheiro com aquela inesperada e perigosa visita. O resultado financeiro não foi o esperado por eles; entretanto, a iniciativa rendeu várias conversas, em família, interessantes. Hoje, eles continuam em suas jornadas empreendedoras.

Assim, o empreendedor deve sempre estar atento às oportunidades que surgem das situações mais inesperadas de sua rotina.

Roberto Brasil