O FUTURO DAS CRIANÇAS E A DESIGUALDADE SOCIAL

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Ademir-RamosConfesso de antemão que não tenho densa leitura sobre a matéria. Contudo, procuro mostrar o quanto é importante acompanhar este processo motor de formação quanto à descoberta de si no mundo da família e no ambiente escolar. Valho-me das observações etnográfica de minha neta querida que desde a tenra idade, assim que começou a dar os primeiros passos foi matriculada, em tempo integral na creche, fazendo aproximadamente dois anos de estudo sob os cuidados da creche e da família, em destaque o paizão que o acompanha todos os dias deixando e levando a escola.

QUESTÃO FAMILIAR: O processo é cumulativo, tanto a família quanto à escola digo a creche, necessariamente, deve criar um ambiente motivador de inserção da crianças no mundo do conhecimento. A família por sua vez de forma  voluntária procede sem muita reflexão acompanhando às vezes muito mais o crescimento do que o desenvolvimento desta pessoa em processo de formação a reclamar do Estado atenção, respeito e o cumprimento de políticas públicas. Em discussão, a estrutura familiar, sua formação e constituição frente às condições de trabalho e  o acesso às políticas públicas, a começar pela creche que tem sido objeto de negociação com os governantes, com a indústria e comércio sem o devido cumprimento das garantias constitucionais das Crianças enquanto sujeito de Direito.

A ESCOLA: A creche, por sua vez, em atenção às diretrizes, metas e estratégias assim definida em seu projeto político pedagógico sob o consentimento  da família poderia potencializar ainda mais sua prática pedagógico se contasse efetivamente com a colaboração dos agentes familiares, o que vale também para todo o processo de formação do ensino básico em particular do ensino infantil e do fundamental. Em não havendo,  o Estado  deve criar os meios necessário para suprir esta lacuna  com novos investimentos para construção de creches públicas, em tempo integral, agregado a novos equipamento e, sobretudo,  em atenção à formação continuada dos trabalhadores da educação, visando qualificar sua prática formadora amparada no plano de cargo, carreira e salário.

COGNIÇÃO: A ciência da educação fundamenta-se em diversas concepções de mundo amparada na filosofia do conhecimento, que está a se superar constantemente no curso da história. É o que os especialistas chamam de quebra de paradigma. Por esta razão, o professor-educador deve necessariamente está apto, não só para o domínio da teoria pedagógico, como também o método seguido das ferramentas efetivas para implementar os procedimentos necessários de forma dialógica no que diz respeito à conquista da escrita, bem como as formas de pensar, sentir e amar, compreendendo a criança como pessoa em desenvolvimento. Vejamos o relato que a professora de minha netinha faz referente à sua competência e habilidade: “Nos estudos ainda sente dificuldade em reconhecer a escrita de seu nome e cobrir os pontilhados, porém, está mais caprichosa nas suas atividades. Já conhece as letras a,e,i,o,u e os números até 6”. Não bastasse, a professora descreve também sua aptidão para música, culinária, esporte e teatro. “Durante as aulas de teatro, ela (com dois anos e oito meses) se diverte e expressa com clareza as suas experiências e necessidades. Tem aprimorado a sua criatividade e desenvolvido o discernimento entre o real e o imaginário”.

OS MALES DA DESIGUALDADE: Ora, se tal benefício é possível para alguns porque o Estado, em cumprimento ao seu dever Constitucional, não oferece para todas as crianças. É neste momento que a política se transforma no recurso mais eficiente para garantia do bem-estar social focado no desenvolvimento da pessoa como sujeito de Direito. A falta de creche atinge a todos, mas, o sofrimento maior é dos despossuídos e excluídos socialmente, que deveria integrar-se a esta luta de forma organizada por acesso às políticas públicas centradas na Educação como matriz de desenvolvimento. A relação entre Governo, Parlamento e Sociedade ocorre por meio de um pacto (contrato) celebrado nas urnas com o candidato ao governo – prefeitura e estado – e também com os parlamentares – câmara, assembleia e congresso –, eles por sua vez, submetem seus nomes à votação, passando ao eleitor a responsabilidade da escolha, agora se o próprio agente familiar – o eleitor – não prioriza a educação não esperemos que os políticos façam. Resulta que quanto maior a desigualdade social pior será a qualidade dos políticos escolhidos nas urnas porque a fome e o desalento além de cegar o cidadão conduz ao vício, destituindo de seus valores familiares e de sua cidadania, reduzindo este sujeito em uma coisa qualquer sem rosto e sem Direito à mercê da vontade alheia.

O desafio maior é combater a desigualdade social e conceber a política não como instrumento privado, de grupos familiares ou empresarial. Mas, como plataforma de fortalecimento do Estado a promover o bem-estar social mediado por políticas públicas de inserção social com investimento na educação, cultura, ciência & tecnologia, gerando postos de trabalho, emprego e renda. Para esse fim, o combate à corrupção e ao desperdício deve ser recorrente e de responsabilidade das instituições e dos agentes democráticos a discernir o real do delírio político presente que persegue a todos.

Roberto Brasil