O CANDIDATO É A CARA DO PARTIDO

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Ademir-RamosEste ano temos eleições em todo o Brasil, em disputa o mandato para vereador e prefeito, o que se faz por meio dos partidos políticos que às vezes coligam-se entre si formando uma frente ampla para potencializar a disputa eleitoral visando o sucesso nas urnas. Trata-se de duas eleições, uma para a Câmara Municipal e a outra para a Prefeitura. A primeira é proporcional e a segunda majoritária, o que requer dos partidos estratégias diferenciadas. Eis a razão porque muitas vezes determinado partido coliga para Prefeito sem coligar para eleição da Câmara, aliança esta chamada popularmente de Camarão porque fecha na cabeça, liberando o rabo. Esta decisão resulta da avaliação das lideranças partidárias que estimam eleger um número de vereadores somente com o peso do partido ou às vezes aliançados com outras agremiações. O objetivo é conquistar espaço tanto na Prefeitura como na Câmara Municipal. O fato é que no próprio partido as cartas já estão marcadas e todo arranjo é feito para fortalecer a candidatura daqueles que são “amigos do rei.” Contudo, resta-nos saber quais são as razões que os candidatos apresentam para justificar suas candidaturas. Esta é a pergunta que não quer calar.

CAMPO EM DISPUTA: Alguns candidatos buscam ou são convidados a se filiarem num determinado partido porque tem um trabalho no rádio ou na TV, quando não, apresentam-se como representantes de alguma comunidade, Igreja, segmento produtivo, escola e outros agrupamentos sociais, culturais e econômicos. Outros explicam que seguem a vontade da família e por isto está no partido para representar a linhagem parental na política partidária. Tem aqueles também que entram “pra tirar um cascalho” e quem sabe garantir um emprego no gabinete do eleito; alguns também recorrem à internet para justificar suas candidaturas, alegando que tem mais de 50 mil seguidores nas redes sociais e por isso se acham aptos a concorrer uma determinada cadeira nas próximas eleições. Neste cipoal de razão os candidatos e candidatas se julgam os melhores, devendo seus nomes ser avaliados pela direção do partido, que aprovará ou não em suas convenções os credenciados para a disputa no pleito. O partido faz uma triagem dos candidatos, selecionando os melhores para marchar em suas trincheiras. A convenção é o instituto legal que transforma os anônimos em candidatos seja por um partido ou por uma coligação. Feito isto, os candidatos legalmente se apresentam junto ao eleitorado com intuito de capturar o voto do eleitor para a legenda do partido ou da coligação, em se tratando da eleição proporcional os candidatos devem alcançar o Quociente Eleitoral e Partidário, que é o número de votos válidos (nominais e das legendas), dividido pelo número de vagas, descartando a fração se for igual ou inferior a meio. Eis porque muitos candidatos embora sejam bem votados, não são eleitos porque não alcançaram o Quociente Eleitoral, contribuindo diretamente para somar em favor do outro. O máximo que conseguem às vezes é uma suplência. Neste cenário registram-se ainda aqueles candidatos que tem mandatos e por esta razão estão em vantagem porque conta com a estrutura do seu gabinete e do trabalho agregado se assim o fez para justificar o apoio popular. Na eleição majoritária, para prefeito, o eleito é o mais votado. Contudo, nos municípios com mais de 200 mil eleitores pode haver segundo turno se o candidato não alcançar a maioria absoluta – mais da metade dos votos válidos, deixando fora os votos em branco e os nulos -, a mesma regra se aplica também no segundo turno.

E O ELEITOR COMO FICA NO JOGO: Até a convenção é o partido que seleciona e aprova os candidatos. Depois, os próprios candidatos devem se organizar juridicamente para responder as obrigações quanto à questão contábil, propaganda eleitoral e as atividades decorrentes do processo, articulando junto ao partido ajuda material e financeira para garantir o pique de campanha. Melhor ainda se o nome do candidato começar a despontar nas pesquisas como uma das opções favoráveis que o eleitor vislumbra para a Câmara ou para a Prefeitura, lembrando que neste ano formalmente as empresas privadas estão proibidas de investir qualquer recurso em campanha eleitoral, isto significa dizer que em tese os candidatos vão correr atrás de pessoa física para ajudar diretamente em suas campanhas. A guerra maior vai ser para os candidatos falarem na TV e no Rádio porque a campanha eleitoral foi reduzida de 90 para 45 dias, começando em 16 de agosto. A propaganda eleitoral dos candidatos no rádio e na TV também foi diminuída de 45 para 35 dias, tendo início, no primeiro turno, em 26 de agosto, considerando ainda que o tempo de TV para as eleições municipais, no primeiro turno, serão dois blocos de 10 minutos cada, para candidatos a prefeito. Além disso, haverá 80 minutos de inserções por dia, sendo 60% para prefeitos e 40% para vereadores, com duração de 30 segundos a um minuto. Possivelmente teremos candidatos que irão recorrer ao bordão do Enéas, que só entrava em cena pra dizer: “Meu nome é Enéas.” Se o eleitor for depender do desempenho do candidato no Rádio e na TV para decidir o seu voto vai passar batido porque não terá tempo para avaliar os projetos e muito menos propostas, principalmente dos candidatos a Câmara Municipal. A situação favorece os candidatos que tem uma trajetória política quanto à participação nas lutas sociais e nas disputas de uma causa coletiva, considerando ainda sua extensa relação social no campo das políticas públicas com visibilidade nas redes sociais e nos meios de comunicação. Pesa contra os candidatos, principalmente, aqueles que disputam a Prefeitura, o seu envolvimento com os partidos comprovadamente corruptos, identificados judicialmente como Organização Criminosa cuja direção encontra-se presa, respondendo por crime de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, entre outros crimes. Ademais, a sabedoria popular ensina a todos que: “Digas com quem andas que eu direi quem tu és!” Na política não é diferente, se o teu partido é um antro de ladrão sua prática não será justa e por mais que o candidato não seja corrupto, moralmente, será acusado em público de omissão ou passividade quanto às “maracutaias” perpetradas por seu partido, favorecendo o enriquecimento ilícito de sua direção, em conluio com corporações empresariais e financeira, provocando grave prejuízo à economia política da Nação. Desta forma, o candidato cai em descrédito junto ao povo e passa a ser comparado com a “companheirada” que traiu a vontade dos brasileiros recorrendo ao crime para se perpetuar no controle do poder de Estado porque nas eleições, no Estado Democrático, o candidato é a cara do partido. O julgamento popular virá das urnas e queira Deus que tenhamos aprendido com a história, banindo da política estes lobos em peles de cordeiros, que além de assaltar o povo roubaram também os nossos sonhos.

Roberto Brasil