O CACICADO POLÍTICO E O VOTO DE CABRESTO

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Ademir-Ramos

A invenção da Democracia no Brasil foi um grande pretexto das oligarquias para assegurar o controle do Estado e continuar mamando no recurso público para satisfazer interesses das corporações familiares e de grupos privados contrariando os interesses populares e os valores Republicanos. Esta prática no Amazonas ganhou força com a presença dos Barões do Extrativismo da Borracha, que além de governar com mão de ferro os barracões de seus seringais, influenciavam também no controle das Comarcas Municipais manipulando a máquina do Estado para atender seus caprichos e suas vaidades, dominando politicamente e explorando economicamente o trabalho de nossa gente. O Cacicado político no Amazonas é reinventado com a implantação da Zona Franca de Manaus, alimentando diretamente os apetites destes políticos aventureiros agentes das oligarquias realinhados com o grande capital para assegurar o controle do Estado e domínio do voto para legitimidade ao seu modo de governar marcado mais pela acumulação do capital do que pela distribuição da riqueza orientada pela Justiça Social efetivada por políticas públicas de qualidade. Esta farsa é vivida até hoje amparada por leis concebidas e formuladas por agentes destas corporações políticas indutoras da corrupção, impunidade e os vícios morais que denunciam não só o político, como também ameaça o próprio Estado de Direito que se funda na cidadania plena, na consecução da Justiça e na liberdade de imprensa como força soberana da moderna Democracia brasileira.

VOTO DE CABRESTO: Era assim que se denominavam os votos dos eleitores que viviam sob o mando dos Coronéis de Barranco, aqui representado pelos extrativistas e seus capangas alocados no próprio Estado. O povo, por sua vez, era tratado como boiada tocada e ferrada por seus pretensos donos, bem no estilo da escravidão, onde o senhor tem direito de vida e morte sobre seus escravos. Esta política ainda vive nos grotões do Brasil manifestando-se nestas eleições de forma escancarada, principalmente, por alguns agentes de comunicação que inflam determinados candidatos nas pesquisas com propósito direcionar o eleitor a optar pelo voto útil, induzindo o desinformado a confirmar nas urnas o candidato que ele aposta ser o melhor e se for confirmado de fato além de manipular a vontade popular ainda ganha nas bolsas de apostas valendo-se da ignorância e desinformação de nossa gente, que vive na extrema pobreza a reclamar acesso às políticas e o efetivo Direito de viver com dignidade e respeito.

CACICADO DO VOTO: No segundo turno das eleições para Prefeitura de Manaus falta legitimidade e sobra imoralidade de alguns candidatos com postura de Coronéis de Barranco que resolveram se apropriar dos votos dos eleitores que confirmaram seus nomes nas urnas para barganhar junto a um determinado candidato as benesses do poder, fazendo qualquer negociata para abocanhar o Poder Municipal e com isto aparelhar a Prefeitura aos seus interesses familiares corporativos transformados em capital financeiro, cargos, funções, propinas e, sobretudo, o império das especulações imobiliárias que tanta riqueza faz por estas paragens nas mãos de famílias que dominam esta prática para desgraça de nossa gente. Frente ao cinismo destes candidatos resta somente neste segundo turno das eleições para Prefeitura de Manaus o dono do voto que é povo não se deixar levar pelo banzeiro das pesquisas, confirmando nas urnas o nome do mais experiente e sensato como aquele barqueiro que já provou que sabe enfrentar a tempestade conduzindo o povo em segurança em direção a um porto seguro.

Áida Fernandes