O BRASIL DEPOIS DO CARNAVAL

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Ademir-RamosAs manifestações explodem por todo o Brasil. Trata-se de uma nova ordem eventual carregada de simbolismo e representação popular cheia de humor e fantasia tornando público o que se encontrava trancafiado nos tribunais e no fórum da família. O carnaval é um fenômeno popular contagiante que transforma o governante corrupto e seus comparsas em personagens principais para ser linchado moralmente nas ruas com muito humor e samba provocando riso e indignação popular. Este processo de linchamento do político falastrão vira piada e deste modo começa a deslegitimação do político e de seu governo quanto ao poder de Estado ridicularizando o comportamento do político e afrontando sua autoridade, a carnavalização é este processo de enfrentamento capaz de moer os políticos corruptos provocando a emergência de uma nova consciência na perspectiva da cidadania participativa. O carnaval é apenas um pretexto que visa politizar as relações valendo-se do humor, do riso e da alegria para despertar no povo a negação do governo corrupto e quem sabe a possibilidade de se inventar uma nova ordem política participativa sob o império do Direito e da Justiça. A invenção do Brasil, historicamente, se deu depois do carnaval, o cenário da conjuntura política nacional também se posiciona a partir do carnaval motivado pelas discussões que presenciamos no Brasil, pondo em dúvida a legitimidade do Governo PTista Dilma Rousseff acusado de Crime de Responsabilidade nos termos do Art. 85 da Constituição Federal regrado pelo ordenamento do Supremo Tribunal Federal.

MEDO DAS RUAS: Para o político profissional o carnaval funciona como um termômetro político. No entanto, se ele fizer parte de uma associação criminosa partidária enquadrada pela Lava Jato, o político vai temer a rua e o carnaval mais do que o diabo tem medo da cruz, dessa feita vai se refugiar no Palácio ou nos condomínios fechados, evitando participar de qualquer evento público, evitando aglomerados para não ser vaiado, como já ocorreu com alguns comparsas desses corruptos palacianos, que foram destratados em restaurantes e logradouros públicos. A carnavalização dos políticos representa também sentimento de contestação popular a manifestar nas ruas, praças e avenidas gritos de protestos contra a corrupção, a impunidade e o destrato da coisa pública com gravíssimo dano a economia e as políticas públicas. Em todos os momentos históricos, a participação popular tem sido determinante para acelerar a mudança no Brasil com firme propósito de se passar a limpo a política, assegurando aos Poderes Constitucionais o equilíbrio necessário para a construção do Estado de Direito e o desenvolvimento da ordem Democrática. A possibilidade do Impeachment da presidente Dilma Rousseff prosperar no Congresso Nacional é mínima, visto que, as partes em disputas – presidente da Câmara e do Senado – também se encontram arrolados em processo, sendo investigado pela polícia federal. Nesta circunstância se o povo assim permitir, o enredo do Impeachment poderá atravessar na avenida e tudo acabar em pizza ou quem sabe, o povo possa virar o jogo, pressionando pela condenação criminal dos partidos e seus agentes envolvidos em associação criminosas e, por conseguinte, exigir que se faça Eleição Geral banindo da política os larápios do povo salvaguardando a ordem Democrática como plataforma da liberdade e da Justiça.

CABEÇA DE TOURO: Mesmo no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde as Escolas de Samba ganharam maior visibilidade, os blocos de rua com nomes bem sugestivos, moralmente, multiplicaram-se arrebatando milhares de foliões pelas ruas destas cidades. O fenômeno é muito mais recorrente nas regiões norte e nordeste, nas cidades que optaram pelo carnaval popular, como é o caso do município de Maués, no interior do Amazonas, que embora faça constar em seus anais o registro de 04 Escolas de Samba, o seu carnaval de rua ganha reconhecimento nacional pela criatividade de seus blocos de rua, mais de 10 ao todo, que no tríduo carnavalesco ganham as ruas, convocando moradores e visitantes a brincarem espontaneamente sob o pavilhão da alegria e movido pelo humor escrachado dos foliões que não perdoam os políticos corruptos, os maridos traídos, as mulheres fura olho e o “padre que virou vigário”. Em recente estada na cidade do guaraná, na minha querida Maués tomei conhecimento dos enredos das Escolas de Samba, os mais refinados possíveis enquanto os blocos de rua escrachados como ninguém provocam a demolição dos falseadores da moral e dos bons costumes demolindo pedra sobre pedra do edifício da imoralidade, da corrupção política e da impunidade fazendo rir os inocentes, preocupando e muito os arrivistas e aventureiros que se apropriam do poder de Estado para enriquecer ilicitamente tripudiando sobre a miséria do povo. Dos blocos de maior aceitação do Carnaval de Maués destaco “o Cabeça de Touro” que este ano atiçou um dos blogueiros da cidade que levou uma galhada e por conveniência, segundo as carpideiras da alegria, aceitou a situação comportando-se como “corno pirarucu”, que para não perder a prole aceita a condição posta. Mas, as carpideiras informam também que há outros bem conhecidos que aceitam esta condição por ser considerado “corno azulejo” – quadrado, liso e chato. Do padre vigário, elas pouco falaram, mas a narrativa é seguida de um complexo gestual a começar pelo bico espichado que fazem quando se referem ao padre político, cantando sua trajetória de menino pobre que buscou abrigo na Igreja e hoje parece ter esquecido os ensinamentos Evangélicos, agindo mais para si e os seus do que para o povo, como bem ensinou o Mestre na lição da multiplicação do pão e do peixe. Dizem elas que o lema do Vigário é “acumular para multiplicar e dividir para reinar.”

E O CADEIRUDO não satisfeito com o povo do Amazonas resolveu arriar a lenha, articulando à cobrança do tarifaço que a Eletrobras vai fazer nas contas de luz dos consumidores do Estado. Fiquemos atentos para analisar o comportamento do Governo do Estado e da Bancada Federal, monitorando se eles vão articular força para barrar este aumento abusivo das contas de luz do Amazonas ou vão continuar “acendendo uma luz pro Melo e outra pro Eduardo”, principalmente agora neste momento em que o Governador José Melo vem sendo cassado pelo douto Tribunal de Justiça do Amazonas, correndo o risco de ser jogado do penhasco de ladeira a baixo se não recorrer às salvaguardas populares sob a força do Direito e a competência dos seus operadores. Após o Carnaval, o mais importante é analisar e avaliar o comportamento do povo por meios dos movimentos sociais e das corporações empresariais, mobilizando força contra o tarifaço pautando suas decisões nos instrumentos de luta orientadas pela força da desobediência civil como afirmação e garantia da reconstrução de um novo Pacto Social de combate à pobreza e a desigualdade regional passando o Brasil a Limpo, coragem é o que nos falta.

Roberto Brasil