O BANQUEIRO DOS POBRES

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Jefferson-Praia-banner-500x167_lateralCompartilho com vocês um breve pronunciamento que fiz no Senado Federal, em 12/06/2008 sobre Muhammad Yunus.

Ocupo a tribuna para, modesta, mas sinceramente, homenagear nosso visitante ilustre na tarde de hoje, o ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2007, Muhammad Yunus.

Conhecido como “Banqueiro dos Pobres”, título de sua fascinante autobiografia, este economista, professor universitário e empreendedor social de Bangladesh já conquistou seu lugar imortal entre os grandes benfeitores da humanidade.

Sua vitoriosa iniciativa, concretizada no Grameen Bank (ou Banco das Aldeias), demonstra a força irresistível das boas idéias aliadas ao trabalho árduo e bem orientado, sob inspiração do sábio provérbio oriental: “Melhor que dar o peixe é ensinar a pescar.” No caso, a vara de pesca se chama microcrédito.

Tudo começou nos anos 70, Quando Yunus e seus alunos se reuniram para criar um pequeno fundo que emprestou US$ 27 a 42 pessoas, sem exigência de garantias. Nascido e criado em uma das regiões mais pobres da Ásia e de todo o planeta, ele conhecia de perto o drama de inúmeras pessoas, principalmente mulheres, que tocavam negócios por conta própria no mercado informal, mas não conseguiam progredir por estarem marginalizadas em relação aos mecanismos de concessão de crédito.

O sucesso daquela experiência pioneira foi total: índice de inadimplência igual a zero. Em pouco tempo, o trabalho de Yunus chamaria a atenção de organismos internacionais e empresas privadas, cujas doações permitiram deslanchar o Grameen Bank.

A boa nova do crédito desburocratizado, a serviço da criação de oportunidades de trabalho e renda, correu mundo (em março de 2008, por exemplo, foi criado o Grameen América, em Nova York).

Muhammad Yunus tem razões de sobra para sentir orgulho. Afinal, cerca de 65% dos seus clientes ultrapassaram a linha de pobreza. E os níveis de inadimplência não superam 2%.

Em suas próprias palavras, “Acredito que o acesso ao capital, mesmo que em escala pequena, pode transformar a vida de famílias pobres, mas desde que ele seja usado para gerar renda.” O dinheiro assim aplicado circula e se multiplica “de forma infinita”, irrigando os canais da cidadania econômica.

Muito obrigado, mestre Muhammad Yunus.

Roberto Brasil