O ATRATIVO

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Jefferson-Praia-banner-500x167_lateralAno novo, novas esperanças. A beleza de cada início de ano é que se mostra uma oportunidade para revermos nossos empreendimentos e ajustá-los.      

Você pesquisa, ouve as pessoas, planeja, dá os primeiros passos na execução, mas mesmo assim, o objetivo estabelecido não está sendo atingido. “O que preciso fazer? Está na hora de rever o planejamento?” Você se questiona.

Vivi um momento como esse, quando estava à frente da Secretaria Municipal do Trabalho, no município de Manaus. Um dos nossos programas, o mais ousado, era o de Qualificação Profissional-Universidade do Povo. Consistia em oferecer cursos de qualificação profissional, de curta duração, a trabalhadores desempregados e empreendedores proprietários de empresas de pequeno porte. O objetivo era preparar e aprimorar o trabalhador para o mercado de trabalho ou para ter seu próprio negócio. A nossa fórmula era simples: ouvir a população e agir com ela.

No inicio da gestão, a demanda por cursos de qualificação profissional explodiu rapidamente; a de empreendedorismo se arrastava. Como planejamento não é camisa de força, estava na hora de mudar a estratégia para aumentar a realização de cursos de empreendedorismo nas comunidades.

Certo dia, ao trocar idéias com um líder comunitário, perguntei-lhe: “Por que vocês não querem o curso de empreendedorismo?” Ele me respondeu: “não sei, as pessoas, simplesmente, não querem.” A conversa foi rolando, tomamos um cafezinho; percebi que ele era bom de papo. Foi então, que o meu lado professor começou a emergir explicando-lhe o que era empreendedorismo:

“Você sabe que muitos de sua comunidade querem começar um pequeno negócio, mas não estão preparados para administrar uma empresa. Precisamos orientar essas pessoas para que possam entender um pouco de mercado, ter noção de administração, saber como se registra uma empresa e conseguir dinheiro para dar os primeiros passos.” “Agora, o senhor pode me explicar como essas pessoas vão ter dinheiro para iniciar seus negócios?“

Muitas vezes olhamos para nossos planos de forma superficial e tendenciosa. Afinal, é difícil admitir que nossos planos são falíveis. Da mesma forma, o empreendedor deve rever seus planos abstendo-se da emotividade. Aquele negócio que parecia ser uma grande oportunidade não está progredindo? E você ainda insiste com o modelo original? Pode ser a hora de mudar! Liberte-se do orgulho e admita que tem que revê-lo! Empreender significa perseverança, mas também, flexibilidade para adaptar-se às mudanças de rotas.

Voltando ao meu caso, como estávamos prestes a iniciar um programa de microcrédito chamado Manaus Empreendedora – recurso para estimular empreendimentos de pequeno porte, decidimos estabelecer como um critério básico  para qualquer pessoa ter acesso ao crédito, a participação em um curso de empreendedorismo. Estava resolvido o problema!

É claro que já pensávamos em fazer essa exigência para se obter o crédito; entretanto, confesso-lhe que não tinha percebido o quanto a possibilidade de ter acesso ao crédito motivava as pessoas a estudarem empreendedorismo. A partir desse momento, a procura pelo curso de empreendedorismo disparou nas comunidades.

Roberto Brasil