O Até Tucupi Proposto Pelas Mulheres

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Marcia Novo

Marcia Novo

Com programação que já iniciou no último fim de semana, o Até o Tucupi destaca a presença da mulher nas artes da cidade de Manaus em atividades propostas por elas mesmas e convida duas cantoras que cantam a Amazônia em seus trabalhos – Márcia Novo  e Djuena Tikuna – para os dois dias da Mostra de Música, no encerramento do festival (24 e 25 de setembro), no Parque Rio Negro (orla do bairro de São Raimundo).

Djuena Tikuna

Djuena Tikuna

Desde o ano passado, quando o Até o Tucupi adotou o tema-tag #RespeiteAsManinhas, o festival tem como premissa a equidade de gênero, com o objetivo de estimular o protagonismo e o empoderamento das mulheres nas artes e manifestações culturais da cidade de Manaus. E isso se refletiu em quase 50% de trabalhos protagonizados por elas, principalmente nas atividades relacionadas à música naquela edição. A própria gestão do festival é fundamentalmente composta por mulheres, seja na produção, comunicação e mídia.

Elisa Maia

Elisa Maia

Em 2016, no entanto, a falta de mulheres com trabalhos inscritos na Mostra de Música – tradicional mostra que coloca no palco o novo e o mais interessante da música autoral produzida na cidade e outros estados brasileiros -, motivou a cantora/compositora e produtora do Até o Tucupi, Elisa Maia, a propor a roda de conversa ‘Mulheres na música’. A atividade acontece dia 22, quinta-feira, às 20h, e convida mulheres de diversos segmentos do cenário musical da cidade de Manaus para pensarem, dialogarem juntas sobre quais os gargalos de suas produções, compartilharem ideias criativas que cada uma desenvolve em seus trabalhos e como proposta de encaminhamento do encontro, a criação de grupo de estudos sobre gestão de carreira e processo criativo.

Rosie Magrela / Tassiana Magra

Rosie Magrela / Tassiana Magra

 

Quem também apostou em uma atividade voltada exclusivamente para o público feminino dentro da programação do Até o Tucupi, foram as grafiteiras Rosie Magrela e Tassiana Magra. Ambas desenvolveram a ‘Oficina de graffiti para mulheres’, que aconteceu nos dias 17 e 18, na sede do Coletivo Difusão e reuniu cerca de 12 mulheres interessadas nesse elemento da cultura hip hop. As grafiteiras, que propuseram a atividade através do edital de inscrições abertas para a programação de formação do festival,  apresentaram didática que inclusive apresentou trabalhos de grafiteiras referências no Brasil e no mundo e nos dois dias também partiram para a prática em parede do próprio Coletivo Difusão.

 

Pelo terceiro ano consecutivo, a cantora Anne Jezini também participa do Até o Tucupi 2016, mas dessa vez não fazendo show e sim integrando-se ao festival apresentando a oficina ‘Música: como funciona o fluxo criativo’, nos dias 21 e 22 (quarta e quinta-feira), pela manhã e à tarde, em duas escolas municipais (Escola Municipal Sérgio Alfredo Pessoa Figueiredo e Escola Municipal Sérgio Alfredo Pessoa Figueiredo), para alunos do ensino fundamental. A oficina é inédita e seu conteúdo se baseia em técnicas de composição (bibliografia de apoio “Writing Better Lyrics: The Essential Guide to Powerful Songwriting”, Pat Pattinson, 2010) e interatividade com os alunos. Será mostrada como funciona o fluxo criativo partindo da idéia até a música pronta. A cantora ainda convida a cantora Elisa Maia e o músico Ian Fonseca (vocalista da banda Supercolisor) para compartilharem seus processos criativos na música. A atividade também compõem as contrapartidas sociais do projeto ‘Produção e divulgação do disco de estréia de Anne Jezini’, contemplado no Edital de Conexões Culturais de 2015, da Prefeitura de Manaus.

MC Branquela

MC Branquela

Na Mostra de Música, em três momentos as mulheres são destaques nos dois dias de encerramento do Até o Tucupi 2016, no Parque Rio Negro. No primeiro dia 24 (sábado), quem fecha os shows no palco é a cantora Márcia Novo.Em sua carreira lançou três discos: ‘Amazônia pop’, produzido por Paulo Calasans e Marco Bosco, de linguagem world music; ‘Tudo Novo’, que iniciou sua aproximação com a musicalidade tropical amazônica; e o mais recente, ‘O Novo Som do Beiradão’, em que a cantora se estabelece definitivamente no universo amazônico, brincando com as gírias, sotaques e cotidiano da região. Já no dia 25 (domingo) acontece a Homenagem ‘Mina no MIC’, lembrando a MC  Branquela, morta em abril deste ano. A cantora era uma expoente promissora do cenário rap da cidade de Manaus. Era conhecida pela rima veloz e uma das poucas que se aventurava nas batalhas, quase que dominada por homens. Além disso, cantava o empoderamento feminino e junto à outras mulheres da cena, encorajava a presença feminina no hip hop. Logo em seguinda, sobe ao palco a cantora Dijuena Tikuna. Dijuena canta a cultura do seu povo e mantém viva a sua história. Vem desenvolvendo sua arte desde os seus 14 anos de idade. Desde pequena acompanhava o canto de sua mãe que é cantora indígena do Grupo Wotchimaucu. A cantora mistura sua arte tikuna, com influências da sonoridade amazônica e da world music.

 

O Festival Até o Tucupi de Artes Integradas faz parte da Rede Brasil de Festivais Independentes – uma plataforma inteligente de divulgação da música nacional, com mais de 100 festivais espalhados pelo Brasil -, e é um dos sete festivais que integram o Circuito Amazônico de Festivais Independentes, duas iniciativas que estabelecem uma nova proposta para esses eventos, proporcionando ao público amazonense o que de novo vem acontecendo no cenário musical brasileiro.

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O Até o Tucupi é realizado pelo Coletivo Difusão, organização cultural coletiva de Manaus, que visa produzir para fomentar cultura e que desde 2006 atua promovendo a integração entre as manifestações artísticas independentes nos eventos e projetos que assina; desenvolve troca de informações entre os cenários culturais para escoamento e intercâmbio das produções independentes; incentiva as experimentações artísticas, viabiliza e organiza oficinas, seminários, workshops, eventos culturais e grupos de estudos relacionados à produção artística com intuito de mapear e incentivar não somente a produção, mas a pesquisa e a capacitação dos atores envolvidos, tendo como público-alvo prioritário a juventude, estimulando o seu protagonismo na sociedade. E tem o apoio do Governo do Estado do Amazonas, através da Secretaria de Estado da Cultura do Amazonas – SEC-AM.

 

Mario Dantas