O ANIMAL QUE AMA

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Ademir-RamosO homem é um animal que ama. A mulher além de amar sangra. Este era o texto que estava sob o corpo inerte da namorada quando a polícia arrombou a porta do barraco e se deparou com o “presunto” da Cacilda sobre a mesa sendo velado pelo jovem amante, que chorava a cântaro.

O nome dele nem se sabe, a vizinhança apelidou de Pitbull porque ele tinha uma cara de bravo, era todo entroncado e metido a encarar as pessoas. O estranho é que ele pouco falava, os vizinhos mais próximos pouco ou nunca se lembravam de ter ouvido uma palavra deste homem animal ou deste animal homem.

Numa manhã de abril, a polícia recebeu uma denuncia anônima de que lá praquelas bandas havia um desmonte de carro e que o Barba Azul dominava o pedaço. Senhor de idade, com uma barba rala, com cara de arigó, dando pinta de bicheiro, camisa aberta e cordãozão de ouro a mostra, estava lá quando a polícia chegou, batendo mato e fazendo busca. Nesta hora o neguinho pula pra todo lado e passa a imitar o Barbudo Palaciano, que pra se sacar da cana do mensalão declarou que não sabia de nada, não conhecia e se duvidasse até surdo era. Com o Barba Azul foi a mesma coisa só que ele não tinha grana e muito menos amigos influentes nos poderes constituídos e por isso “se ferrou-se” enquanto o Barbudo Palaciano, nordestino da gema, dando pinta de bom moço ameaça voltar se o PMDB deixar.

Mas, tudo leva a crer que o Pitbull, o amante mortal, era um dos braços do Barba Azul, que além de malocar os carros fazia os desmontes para vender aos receptadores as peças em bom estado e com isso era o novo rico metido a pegador. Jovem com dinheiro no bolso e com muito amor pra dar era apaixonado por Cacilda, jovem bonita, dona de um corpo torneado, cabelos lisos e pretos e segundo o próprio Pitbull além de lhe dar alegria fazia chorar o animal somente de prazer. Embora ele pouco falasse, como informou a vizinhança, mas quando estava no “vamos ver” com a Cacilda ninguém dormia porque os gritos e sussurros eram contagiantes e até animava “os pinto baixo”.

Pitbull era muito ciumento e descobriu que o Barba Azul, andou comendo do seu pirão, ficou louco e de forma covarde foi tomar satisfação com a Cacilda e fora de si deu um golpe “mata leão”, matando Cacilda e com ela o seu amor. Quando a polícia chegou o corpo já estava em decomposição e o amante Pitbull ainda chorava pela perda e pelo ato. Desencantados tanto o Pitbull como o Barba Azul foram para o xilindró enquanto “os influentes” circulam de cara limpa batendo no peito e repetindo que o “homem é um animal político” e por esta razão é um hábil mentiroso e dissimulador capaz de enganar o povo, não se sabe até quando.

Roberto Brasil