Novo exame de sangue é capaz de detectar início de câncer, diz estudo

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Um novo exame de sangue criado por cientistas americanos foi capaz de identificar estágios iniciais de câncer de mama, pulmão, ovário e colorretal em 86 pacientes. A equipe de pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, conseguiu detectar fragmentos genéticos específicos da doença por meio do teste, uma tentativa de fazer o diagnóstico precoce do câncer, de maneira não invasiva. Os resultados do estudo foram publicados nesta quarta-feira na revista Science Translational Medicine.

“Esse é um dos primeiros estudos a olhar diretamente para o câncer em seus estágios iniciais, pelo que sabemos”, afirmou Victor Velculescu, professor de oncologia no Centro Kimmel para o Câncer, da Universidade Johns Hopkins, e um dos autores do estudo, à Reuters.

Diagnóstico precoce

Em todo o mundo, cerca de 14 milhões de pessoas recebem anualmente o diagnóstico de câncer e, segundo os cientistas, a maior parte dos casos não são detectados até que a doença esteja em seus estágios finais, quando há menos possibilidades de tratamento e as chances de sobrevivência são menores. Um dos maiores desafios ao diagnóstico precoce, contudo, é diferenciar o DNA liberado pelos tumores de outras alterações genéticas que ocorrem naturalmente no organismo (durante divisões celulares, por exemplo) que poderiam ser identificadas como marcadores da doença. O novo estudo conseguiu fazer essa distinção para quatro tipos de câncer que, se descobertos precocemente, poderiam salvar até 1 milhão de pessoas por ano.

Para fazer o estudo, os cientistas analisaram amostras de sangue de 200 pacientes com câncer, em diversos estágios, dos Estados Unidos, Dinamarca e Holanda. Por meio de uma metodologia genética conhecida como “sequenciamento profundo”, em que os genes são lidos 30.000 vezes, eles procuraram mutações em 58 genes associados a câncer de mama, ovário, pulmão e colorretal. A doença foi identificada em 86 indivíduos dos 138 que estavam com câncer em estágios iniciais (fases 1 e 2).

Em seguida, os cientistas analisaram o genoma dos tumores removidos de 100 dos 200 pacientes e, em 82 deles, encontraram as mesmas mutações que correspondiam às encontradas nas amostras de sangue. Como grupo controle, os pesquisadores analisaram o sangue de 44 indivíduos saudáveis e não encontraram as mutações.

De acordo com Velculescu, são necessários novos estudos, em grandes populações, para confirmar os resultados obtidos e garantir que o teste pode fazer o diagnóstico precoce com eficácia, um processo que pode levar cerca de cinco anos.

VEJA

Roberto Brasil