NOVAS PLATAFORMAS DE SONHOS E LUTAS

By -

O conceito de cultura é bastante amplo e abrangente. Contudo, é importante saber que ele agrega múltiplas determinações que podem ser tipificadas como bem material ou simbólico. Esta classificação é apenas formal porque a bem da verdade tanto o material em si, seja uma peça qualquer do quotidiano de um povo, quanto às músicas, cerimônias e representações integram o universo cultural desta gente como valor identitário capaz de estabelecer diferenças entre as nações. Os processos de globalização mitificados pelos domínios coloniais impuseram aos povos conquistados novas formas de pensar, agir e sentir quase sempre negando violentamente a história e a cultura desses povos. Está prática dominante ganha força mais ainda com a expansão e consolidação do sistema capitalista definido e conceituado como resultante da rapinagem, pirataria, do saque e dos genocídios dos povos.  Por sua vez, o capitalismo é caracterizado pela dominação política e exploração do trabalho, reduzindo todo bem e valor em mercadoria com propósito de acumular riqueza e concentrar poder. Para isso é preciso controlar o Estado e investir em seus agentes públicos, políticos e governantes, entre outros, para formular políticas alinhadas com os interesses do capital aparelhado ao Estado, produzindo e reproduzindo os meios necessários para sustentabilidade do sistema numa perspectiva globalizante bem no estilo das práticas financeiras internacionais regendo, desta feita, a mesma sinfonia para todos os povos emergentes com graves acordes pautados na subalternidade e na perversa desigualdade social manifesta no desemprego estruturante, na extrema pobreza somada com a precarização das políticas públicas de Estado.

DEMOCRACIA: Como forma de governo a Democracia regida pela força do grande capital sob a batuta dos Estados Unidos da América tem sido a plataforma política mais ajustada para unificar os interesses da burguesia internacional aliada com determinadas corporações neocoloniais de países emergentes centradas na indústria e no agronegócio, cravando seus tentáculos nos Países em desenvolvimento como o Brasil, em particular na Amazônia, avançando na exploração mineral e na sedimentação dos segmentos do Polo Industrial de Manaus controlado por matriz gerencial fora da região e do próprio País calçado numa sociedade desestruturada regida quase sempre por políticos e governantes corruptos que faz pouco caso ao esclarecimento da consciência popular advinda das luzes do saber e da ciência sob a orientação de políticas públicas focadas na educação integral promotora de novas competências e habilidades de crianças e jovens, assegurando a formação intelectual dessas pessoas em desenvolvimento, permitindo que elas se encontrem ou se perca nos processos concebidos e pensados pelos agentes do sistema articulados ou não com as estruturas dominantes contrariadas pela rebeldia da juventude, criando condições materiais, quem sabe, para a construção de novas plataformas de sonhos e lutas em combate a desigualdade social nas diversas fronteiras da ordem sistémica.

QUEBRA DE HEGEMONIA: As mudanças e transformações não ocorrem por acaso resultam de crises que às vezes o próprio sistema suscita para revitalizar suas forças, mudando seus atores e azeitando a máquina com a pretensão de realizar novos projetos. É nesta conjuntura que as lideranças sociais e políticas podem emergir se souberem ler os fatos, formulando novas concepções e estratégias no campo da economia política. Nós brasileiros nos ressentimos dessas atitudes quando constatamos o descompromisso das academias e dos partidos políticos que se tornaram presa de um passado oligárquico afrontando o projeto republicano movido pela liberdade, igualdade e fraternidade participativa dos movimento populares, que não aceitam mais a representativa parlamentar sem antes conferir o zelo com a coisa pública o que vem sendo cobrado no altar da Justiça.

Roberto Brasil