Nova tecnologia começa a ser usada para combater o Aedes aegypti

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combate-aedes-manaus 01Uma nova tecnologia para o combate ao mosquito Aedes aegypti começou a ser usada nesta segunda-feira, 18, pela Prefeitura de Manaus. Trata-se do biolarvicida natural Espinosade, com eficácia comprovada pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

O bairro Jorge Teixeira, zona Leste, foi o escolhido para o início da ação por apresentar alto índice de infestação e, ainda, concentrar 70% de reservatórios que ficam no solo, como camburões, cacimbas, tonéis, cisternas e tambores, responsáveis pela grande quantidade de criadouros do mosquito naquela área, segundo levantamento realizado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) este ano.

Agentes de endemias irão visitar 40 mil imóveis do Jorge Teixeira, fazendo o monitoramento permanente das residências e reaplicando o produto após dois meses. Em formato de pastilha, o biolarvicida trata até 200 litros de água.

“O Espinosade possui um poder residual de 60 dias. Após a distribuição em 100% das casas, faremos avaliação dos resultados por meio do Levantamento do Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa)”, explicou a gerente da Departamento de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da Semsa, Alinne Antolini, acrescentando que a redução da presença de mosquitos também será feita pelas “ovitrampas”, espécie de armadilha que atrai as fêmeas e ajuda a coletar dados sobre a quantidade de mosquitos em cada região.

combate-aedes-manaus 02Derivado da Saccharopoilyspora spinosa, o biolarvicida adotado pela Semsa não apresenta riscos para seres humanos e animais. Ao contrário dos produtos químicos sintéticos tradicionais, o Espinosade é produzido em tanques de fermentação e não a partir de reações químicas. Por ser derivado de processo biológico, apresenta baixíssima toxicidade e não causa doenças. O produto age no sistema nervoso central das larvas, causando espasmos involuntários, paralisia e morte, num processo irreversível a partir do contato do vetor com o produto.

O secretário municipal de Saúde, Homero de Miranda Leão Neto, destacou que o uso de novas tecnologias para o controle do Aedes visa reduzir os riscos de transmissão de dengue, zika vírus e chikungunya na capital. “Começamos a aplicar o novo biolarvicida em um dos bairros com maior concentração de criadouros e, a partir da comprovação de resultados satisfatórios, a aplicação será estendida para os demais bairros prioritários para o controle, entrando na rotina das ações de vigilância ambiental”, disse.

De acordo com o secretário, as infecções por zika vírus estão entre as maiores preocupações da Semsa pela gravidade de suas consequências, especificamente a ocorrência de microcefalia em bebês de mães expostas ao vírus.

O mais recente LIRAa, realizado pela Semsa em fevereiro deste ano, indicou que Manaus apresenta médio risco de infestação, com um índice predial de 1,9, o que significa que, de 100 imóveis visitados 1,9 tinha criadouro ativo ou potencial para reprodução do Aedes aegypti. Segundo o Ministério da Saúde, apresentam médio risco para as doenças transmitidas pelo Aedes os municípios com índice entre 1,0 e 3,9. Municípios com índice menor que 1,0 são considerados de baixo risco e os com índice maior que 4 entram na faixa do alto risco.

Considerando os resultados por bairro, o Levantamento mostrou que 17 bairros da capital apresentam alto risco de infestação, 25 estão em médico risco e os outros 21, em baixo risco. O Distrito de Saúde Leste (Disa Leste) tem o maior índice predial (3,6), com cinco bairros em alto risco de infestação – São José, Coroado, Tancredo Neves, Armando Mendes e Zumbi. O Distrito de Saúde Norte (Disa Norte) é o segundo com maior infestação com índice de 1,6.

O LIRAa também apontou que os depósitos que mais contribuem para a proliferação do mosquito em Manaus (41,2%) são recipientes de armazenamento de água para consumo em nível de solo, como tambores, tonéis ou camburões, barril, tina, etc. Os depósitos como recipientes, garrafas, latas, ferro velho, representam 28,2%.

Também são considerados na análise dos riscos por região, fatores complementares como a quantidade de casos confirmados ou suspeitos de uma das três doenças.

Roberto Brasil