NO CAMINHO DO NAZARENO

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O gestor enfrenta muitos desafios em sua função; para resolvê-los deve utilizar seus conhecimentos de vida, técnicos e espirituais. Quando ele menos espera pode surgir um problema em sua empresa ou instituição pública que vai exigir algo mais que não se encontra nos livros técnicos e nunca foi abordado em sala de aula.

Vou compartilhar com você uma experiência vivida no momento em que eu ocupava um cargo público – Secretário Municipal do Trabalho, do município de Manaus. Realizávamos muitas feiras: cultura e artesanato indígena, artesanato em geral, produtos agrícolas e confecções; era uma oportunidade que proporcionávamos a todos que participavam dos mais diversos cursos de capacitação e qualificação profissional para exporem e venderem seus produtos.

Todos esses eventos tinham seus coordenadores. Os problemas apareciam constantemente ao longo desses eventos. A nossa missão era procurar resolvê-los ouvindo e agindo junto com os partícipes. Em uma dessas feiras os desafios eram enormes, pois os conflitos ocorriam com certa frequência – a maioria de interesse pessoal. Uma pequena parcela dos participantes parecia que nunca estava satisfeita. Três coordenadores não conseguiram realizar seus trabalhos nessa feira e me pediram para participar em outro projeto da Secretaria. A minha missão, como gestor, era escolher alguém da equipe que pudesse enfrentar aquele desafio da melhor forma possível. No grupo de colaboradores havia um cidadão que também exercia o ofício de pastor, cujo perfil me parecia adequado para aquele momento. Conversei com ele sobre o assunto e pedi-lhe que fizesse o melhor na coordenação da feira. Ele aceitou, mas sabia que não seria fácil a missão, pois o clima era pesadíssimo. Tudo parecia estar indo bem, entretanto, antes de completar dois meses o pastor foi ao meu encontro e disse-me: “Secretário, quero lhe pedir para mudar de função.” Perguntei-lhe o que havia acontecido. Com um ar de tristeza, falou-me: “Fui tratado de uma forma muito deselegante. O clima nessa feira é muito tenso. Não dá para ficar!” Por um momento, permaneci sem saber o que fazer. Foi quando lhe fiz o seguinte comentário: “Pastor, eu sou um homem que procuro saber e aplicar os ensinamentos de Jesus. Esforço-me bastante para ser um bom cristão. O senhor conhece melhor a Bíblia do que eu e sabe que há uma passagem na qual Jesus diz: (…) a quem te esbofetear a face direita, ofereçe-lhe também a outra (Mateus 5:39). Portanto, seria bom que você cuidasse daquelas ovelhas!” Naquele instante, os olhos do Pastor brilharam mais do que o normal; sem hesitar, falou-me: “tudo bem; eu continuo.” Estendeu a mão para me cumprimentar e, com um leve sorriso,  se despediu. O Pastor ficou até o fim da gestão à frente daquela feira.

Aprendi que ser gestor é ouvir, aprender e agir com seus colaboradores. Aproveitando o que cada um tem de melhor como profissional e ser humano. É saber para onde ir e mostrar para os demais. Devemos usar toda nossa experiência de vida, desde a infância à idade adulta, aproveitando sempre os ensinamentos das pessoas de bem que te rodeiam.

Com o tempo entendi o sorriso do pastor: ele viu uma ovelha conquistada.

Mario Dantas