Natação Comunitária ajuda no tratamento de doença rara na Vila Olímpica

By -

fisioterapia-vila-olimpica-1Criada no início da década de 1970, a natação comunitária chega à meia idade na Vila Olímpica de Manaus e continua a proporcionar grandes benefícios para o corpo e a mente de quem participa do programa, que é coordenado pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação Vila Olímpica (FVO). O mais recente foi o tratamento de uma doença rara, conhecida como Síndrome de Guillain-Barré (palavra francesa), que ataca o sistema nervoso do corpo humano.

O fato foi registrado há um ano em Manaus, na época da Copa do Mundo. Ao contrair uma gripe, o funcionário público Mário Gil Pessoa Pereira, 25, começou a ter dificuldades em movimentar os membros superiores e inferiores e, em pouco tempo, não conseguia mais andar.

O drama do rapaz aumentou, a partir do momento em que ninguém conseguia identificar o problema. Mesmo indo a vários consultórios e ter sido atendido por três médicos distintos.

Até que um dia, após ser consultado por uma neurologista e precisar passar por alguns exames, finalmente conseguiu diagnosticar a doença.

Mário foi internado imediatamente, chegou a perder quase dez quilos e ficou em observação por cinco dias. De muletas e sem poder tomar qualquer remédio, pois a doença é autoimune (não tem medicamento que a cure), foi orientado a fazer sessões de fisioterapia, para acelerar o processo de recuperação.

fisioterapia-vila-olimpica-3“Foi quando eu soube que havia a natação para adultos na Vila Olímpica e conheci o professor Olsemar (Ribeiro, professor e fisioterapeuta), que passou a me acompanhar, daquele momento em diante”, relatou Mário Pereira.

O acompanhamento na piscina durou aproximadamente três meses. O período foi suficiente para o que a aparência abatida desse lugar à alegria novamente. Mário gostou tanto de fazer parte da natação comunitária que está até hoje no programa.

“Estou cem por cento recuperado. Fiz a matrícula no início deste ano e treino todos os dias, sem nenhuma dificuldade, graças ao apoio de todos aqui e de minha família”, frisou.

Mário, que é o filho mais velho de uma família de quatro homens, não praticava nenhum esporte, desde que operou o joelho, aos 21 anos.

“Não deixe de prestar atenção na sua saúde e de fazer uma atividade física, porque hoje em dia eu sinto a falta que ela fez e a diferença que ainda faz na minha vida”, comparou.

Aulas diárias

As aulas da natação comunitária são ministradas na Vila Olímpica de Manaus por professores de educação física, que também são fisioterapeutas, de terça a sexta-feira, nos horários de 6h às 6h45 e de 6h45 às 7h30. O benefício alcança a aproximadamente 70 pessoas por turma.

O tipo de atenção dada a Mário ou a qualquer cidadão, além da forma como as aulas são ministradas e que passaram a ser feitas na atual administração da FVO, têm proporcionado um aumento considerável na procura por vagas.

“A natação pode ser trabalhada em nível de competição, comunitária (aprender a nadar), lazer e terapêutica, que é destinada a pessoas que sofrem acidentes ou têm doenças de uma patologia grave e perdem os sentidos por isso. Apesar de trabalhar o desporto, a Vila também atende a comunidade nesse sentido”, destacou o diretor presidente da Fundação Vila Olímpica de Manaus, Aly Almeida.

O professor Olsemar Ribeiro, 60, trabalha há 14 anos no programa e até perdeu as contas de quantas pessoas conseguiu acompanhar.

“Minha mãe, de noventa e três anos, teve uma fratura grave, tratou-se, hoje anda normalmente e faz tudo”, disse Olsemar, que tem o apoio da professora Andréa Machado, na condução dos trabalhos.

A natação comunitária entra em recesso esta semana e retorna no dia 7 de julho. A mensalidade é R$ 15. As aulas ocorrem de duas a três vezes por semana. Favor procurar os professores Olsemar ou Andréa, ou ligar para 3878-0954, no horário comercial.

fisioterapia-vila-olimpica-2Doença autoimune

A Síndrome de Guillain-Barré é uma doença autoimune que ocorre quando o sistema imunológico do corpo ataca parte do próprio sistema nervoso por engano. Isso leva à inflamação dos nervos, que provoca fraqueza muscular.

O tipo mais comum é o Polirradiculoneuropatia Desmielinizante Inflamatória Aguda (AIDP), cujo sinal é a fraqueza muscular que começa na parte inferior do corpo e se espalha para cima.

O dano nervoso provocado pela doença provoca formigamento, fraqueza muscular e até mesmo paralisia. A Síndrome deGuillain-Barré costuma afetar mais frequentemente o revestimento do nervo (chamado de bainha de mielina). Essa lesão é chamada de desmielinização e faz com que os sinais nervosos se propaguem mais lentamente. O dano a outras partes do nervo pode fazer com que este deixe de funcionar completamente.

Como fator de risco, a síndrome pode afetar todos os grupos etários. Pessoas inseridas dentro de determinados grupos podem estar sob maior risco do que outras, especialmente pessoas do sexo masculino e adultos mais velhos. Além disso, a síndrome pode ser desencadeada por uma infecção com a Campylobacter, um tipo de bactéria frequentemente encontrada em aves mal cozidas.

Roberto Brasil