Na estreia eleitoral, Rede mira em capitais

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Marina Silva diz que não tem 'curral eleitoral' para transferir 'para quem quer que seja'

Marina Silva diz que não tem ‘curral eleitoral’ para transferir ‘para quem quer que seja’

Longe do furacão que movimenta o Palácio do Planalto e o Congresso, dirigentes do partido de Marina Silva, Rede Sustentabilidade, se articulam para definir os nomes que vão compor as candidaturas próprias municipais nas eleições deste ano. Dos cinco deputados federais filiados à legenda, quatro são pré-candidatos, principalmente de capitais.

Entre eles estão Aliel Machado, cotado para disputar a prefeitura de Ponta Grossa (PR), e Eliziane Gama, que aposta na corrida eleitoral em São Luís, no Maranhão, onde ela foi campeã de votos em 2014, quando conseguiu uma cadeira na Câmara dos Deputados. Na capital gaúcha, surge o ex-judoca João Derly, em primeiro mandato na Casa, considerado por dirigentes como “jovem, muito atuante, identificado com a juventude e o esporte”.

Machado afirmou que ainda é cedo para confirmar o lançamento de seu nome. Antes, é necessário haver consenso dentro do partido, justificou o parlamentar. “Estamos preocupados em não perder o foco dentro do nosso programa. A partir de agora, a gente tem pessoas de qualidade que estão vindo para o partido para construir uma nova história.”

‘Preleção’. Na expectativa da estreia em eleições, integrantes mobilizam apoios, enquanto a janela eleitoral permanece aberta. Até 2 de abril, seis meses antes do 1.º turno, políticos podem embarcar com os ‘marineiros’. “Estamos aproveitando para mapear e encontrar políticos com o perfil da Rede Sustentabilidade. Marina, como porta-voz, vai viajar pelo País e trabalhar nas candidaturas, emprestar prestígio”, disse Carlos Henrique Painel, coordenador executivo do partido.

A ex-ministra do Meio Ambiente informou que, depois de ter tido mais de 20 milhões de votos em 2014, se sente na obrigação de fazer uma “preleção” para orientar os eleitores no voto “por um País próspero, justo, sustentável, democrático e diverso.” “Não vou emprestar prestígio, vou levar meu compromisso, com proposta, trajetória e cumplicidade”, afirmou Marina.

Enquanto a Presidência buscava formas de manter o PMDB na base do governo, na madrugada de anteontem, a Rede Sustentabilidade filiou o prefeito Clécio Luis, de Macapá (AP). O convite veio do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), único do partido na Casa. Ambos militaram juntos no PSOL. “Acho que é mais do que justa e merecida a reeleição dele”, disse o senador. A Rede também tem um prefeito em Serra, no Espírito Santo.

Análises. O cientista político Alberto Carlos Almeida, do Instituto Análise, concorda que o candidato pode ficar mais popular, caso faça aparições ao lado de Marina, mas não a ponto de se eleger. O maior problema, apontou, é a incerteza do partido no espectro político. “Não é possível sobreviver politicamente com essa indefinição. Marina defendeu políticas liberais nas eleições. Dizer que acabou direita e esquerda é encerrar o diálogo”, criticou.

Por isso, segundo ele, ainda não é possível dizer se a legenda pode retirar votos de outros partidos, como o PT, prejudicado pela crise no governo federal. Ao receber políticos do PSOL e de “alas radicais” do PT, porém, a Rede tem indicado que “vai ser de extrema esquerda”, segundo o cientista político, citando a filiação da ex-senadora Heloísa Helena (Rede-AL).

O consultor de marketing eleitoral Carlos Manhanelli lembra que o partido de Marina Silva “levou uma fatia” de eleitores antes simpáticos ao PT porque foi fundado por dissidentes da legenda. Para ele, as eleições deste ano vão fortalecer Marina Silva, que pode voltar mais forte para uma possível candidatura à Presidência em 2018. “Ela vai ter pessoas em várias cidades falando do programa do partido e da candidatura, oferecendo palanque”, disse.

(Com Estadão Conteúdo)

Roberto Brasil