Na China, Temer diz que não pode ‘manter o silêncio’ sobre Janot

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Após se reunir com empresários chineses em Pequim nesta quinta-feira, o presidente Michel Temer (PMDB) comentou o pedido de suspeição contra o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e disse que “o  que não se pode é manter o silêncio”. Nesta quarta-feira, o ministro Edson Fachin, relator do inquérito contra o presidente no Supremo Tribunal Federal (STF) negou o pedido e manteve Janot nas investigações.

“Você sabe que no plano jurídico, quando alguém começa a agir suspeitamente, você tem que arguir da suspeição, e quem decide é o Judiciário. O Judiciário é que vai decidir o que deve haver, se há suspeição, se não há suspeição. O que não se pode é manter o silêncio. Mas foi o que o advogado fez”, disse o presidente. Defensor de Temer, Antonio Claudio Mariz de Oliveira pretende recorrer ao plenário do Supremo para afastar Janot do inquérito.

Na avaliação de Fachin, as principais alegações do advogado contra a atuação do procurador-geral não tem indícios suficientes de parcialidade. A respeito da crítica de Mariz de que Janot errou em fatiar a investigação contra o presidente, o ministro escreveu que “cada apuração é marcada por amadurecimento em lapso temporal próprio”.

Já sobre a frase “enquanto houver bambu, lá vai flecha”, dita pelo procurador em um evento em São Paulo, em julho, Fachin concluiu também que não é possível extrair “contornos de parcialidade”. Ele ressaltou que qualquer denúncia feita por Janot estará sujeita “aos controles políticos e jurídicos previstos”.

Delação

Questionado sobre a devolução do acordo de colaboração premiada do operador Lúcio Funaro à Procuradoria, Temer afirmou que a atitude do ministro Fachin ao entregar o acordo novamente a Janot demonstra que a delação pode conter equívocos. “Deve haver algum equívoco na delação, certamente nós vamos esclarecer. Eu suponho até que o procurador deverá esclarecer e vai devolver”, disse o presidente.

Existe a expectativa de que o acordo de Funaro, se homologado a tempo, pode fornecer novas informações para corroborar uma segunda denúncia do procurador-geral contra Temer. Se essa denúncia efetivamente for apresentada, o rito será a mesma da anterior: depois da análise por uma comissão especial, o plenário da Câmara terá de decidir se autoriza ou não o STF a processar o peemedebista. No último dia 2, a primeira acusação foi rejeitada por 263 a 227 votos.

VEJA

Roberto Brasil