MULHER EM CENA: A LUTA PELO DIREITO

By -

A margem do grande rio das Amazonas com muita luz e o verde que rodeia, embalado pelo sopro das florestas mais a sonoridade das águas e o cântico dos pássaros, a mulher se faz representar às vezes em combate vencendo seus próprios fantasmas, quando não, lutando de forma determinada para assegurar direito que contemple sua especificidade e seu modo de ser no curso da história. Neste cenário de cores vivas e múltiplas foi que documentamos a manifestação de uma jovem mulher ainda menina que corria na praia com gestos, gritos e cantorias anunciando uma vida interrompida, frustrando de imediato a maternidade. O fato é que sangrava e de pronto expulsava do paraíso de forma trágica uma vida em formação, que em poucas horas assim como a luz se apagaria, nos conduzindo ao negrume da noite e assim sendo, o cenário pela sua própria natureza se transformaria e a própria mulher desfalecia ao lado da cria, sendo reanimada pelas senhoras da aldeia com bálsamo da floresta regido por rituais de cura capaz de convencer a todos de sua eficácia. À distância, o observador se perguntava quanto à situação da jovem mulher no conjunto das relações familiares daquela comunidade relativo à integração ou alijamento das relações afetivas ou de parentesco, a dúvida persiste até que as mulheres em cena resgatam a jovem para lugar desconhecido e incerto até a sua plena recuperação.

IMPETUOSIDADE: A juventude traz em si sua marca e com impetuosidade toma a frente de determinada situação com muito gosto e paixão. Às vezes seu comportamento pode parecer inconsequente. Contudo, denuncia uma intensa participação que pode muito bem ser canalizada para além do prazer em si, impulsionando esta força para as conquistas sociais a consolidar relações ou provocando graves tensões na estrutura familiar e social. O caso da bela mulher em chama às margens do rio das Amazonas pareceu ser pensado pelas próprias senhoras que a protegiam dos males moral e social e por isso lhe deram guarida de forma solidária e fraterna, despertando na alma da criatura o senso de responsabilidade coletiva por ser ela de uma linhagem de liderança tradicional e talvez de forma inconsciente viessem a sustentar a força do matriarcado tão presente nas culturas amazônicas ainda. Estas culturas em relação faz da mulher uma agente de mudança capaz de operar significativas transformações na ordem familiar e social independente de qualquer mando institucional assentado na organização familiar de marido e mulher.

FORÇA DA MULHER: No Brasil, particularmente na Amazônia, a mulher ainda é uma população superior relativo ao homem. Este índice ganha força quando situamos estas mulheres em seus contextos culturais e em suas extensas relações sociais no campo, na cidade e na periferia. Embora, financeiramente sejam inferiores, o seu poder transpassa estas fronteiras firmando-se de variadas formas na plataforma social, rompendo tabu e regras morais e religiosas com garantia do mando de campo. Qualquer semelhança é pura coincidência, mas, em minhas investidas etnográficas pude comprovar que as mulheres falam menos a língua franca – o português, neste caso – e por isso conservam muito mais a tradição das culturas. Às vezes indagam-se os homens e eles recorrem às mulheres e só então respondem as questões que lhes foram feitas. Nestas circunstancias, as mulheres conservam o domínio da informação que não deixam de ser uma forma de poder. Na cidade, embora as relações sejam difusas, elas controlam determinado território das fronteiras humanas. O salto para o Parlamento é uma questão de tempo, em breve as portas serão escancaradas e o poder de Estado será compartilhado pela força da mulher.

MARÇO DE LUTA: Para celebração do dia internacional da Mulher, a mobilização será mundial com marchas nos variados continentes. No Amazonas, preliminarmente as mulheres dos Movimentos Sociais e dos Segmentos Partidários – PDT, PT, PC do B, entre outros – no dia 08 (quarta-feira) farão várias manifestações em pontos de estrangulamentos no trânsito com objetivo de “pro-vocar” a conscientização e chamar atenção da proteção dos Direitos da Mulher, posicionando-se contra as medidas perversas do Governo Temer (PMDB). A concentração da marcha das mulheres esta marcada para às 15h na Praça do Congresso, no centro de Manaus, estendendo-se suas atividades para o dia 11 (sábado) a partir das 10h, no Coreto do Jaraqui, na Praça da Polícia.

Roberto Brasil