MPF diz que advogados de Lula prestaram informação falsa em coletiva

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Polêmica seria presença de uma ata de reunião do Conselho da Petrobras no processo

Em nota divulgada à imprensa nesta quinta-feira, o Ministério Público Federal (MPF) acusou os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de prestarem uma informação falsa em entrevista coletiva ontem em Curitiba após o fim do depoimento ao juiz Sergio Moro. A força-tarefa também citou “muitas contradições verificadas no interrogatório” de Lula.

Segundo a força-tarefa, a defesa de Lula teria afirmado na entrevista que foi utilizada, na audiência, uma ata de reunião da diretoria da Petrobras à qual a defesa do ex-presidente não teve acesso.

A defesa do ex-presidente Lula foi procurada pelo GLOBO, que aguarda o posicionamento dos advogados.

A ata de reunião de fato se encontra como um anexo à denúncia. Ela se trata da ata de uma reunião do Conselho de Administração da Petrobras em que o então presidente da estatal, José Eduardo Dutra, indicou a substituição do diretor de Abastecimento da companhia à época, Rogério Manso, por Paulo Roberto Costa.

Paulo Roberto Costa foi preso em 2014 pela Lava-Jato por ter recebido propina enquanto ocupava o cargo.

No interrogatório, com o documento em mãos, o procurador Roberson Pozzobon questionou o ex-presidente Lula se ele havia conversado com Dutra sobre a indicação de Paulo Roberto Costa.

— Só respirar aqui — disse Lula após a pergunta. — Eu já respondi umas três vezes. O nome do Paulo Roberto Costa passou pelo crivo que passa todos os diretores principais da Petrobras. É uma indicação que vem dos partidos aliados, que vem dos ministros, que vem da bancada. Passa pelo GSI (Gabinete de Segurança Institucional) que faz uma investigação, passa pela Casa Civil, que vem para mim e eu mando para o Conselho da Petrobras.

Durante a audiência, os advogados de Lula não questionaram a presença ou não do documento no processo. Inicialmente, o juiz Sergio Moro questionou o procurador onde estava o documento.

— Está onde isso? — perguntou Moro.

— Na denúncia, no anexo 25 — respondeu Pozzobon.

— Denúncia, anexo 25, extrato de ata, Petrobras… enfim — disse Moro, estendendo o documento ao ex-presidente.

— Poderia ler — interrompeu Lula. — Eu confio em você, se quiser ler, não tem problema — afirmou Lula.

— Perfeito, o senhor fique à vontade se quiser ler, é só para te dar suporte se for do seu interesse ou da sua defesa — disse Pozzobon.

CONTRADIÇÕES

No comunicado, a força-tarefa da Lava-Jato ainda citou “muitas contradições” que teriam sido verificadas no interrogatório do ex-presidente Lula. O MPF afirmou que irá se manifestar sobre as alegações do ex-presidente na fase de alegações finais do processo, próximo passo após as defesas e os procuradores pedirem novas diligências.

“Quanto às muitas contradições verificadas no interrogatório do ex-presidente Lula, à imputação de atos à sua falecida esposa, à confissão de sua relação com pessoas condenadas pela corrupção na Petrobras e à ausência de explicação sobre documentos encontrados em sua residência, o Ministério Público Federal se manifestará oportunamente, no processo, especialmente nas alegações finais”, afirmou o Ministério Público Federal.

(DA AGÊNCIA O GLOBO)

Roberto Brasil