Mouhamad Mustafa abre o jogo e revela chefe da quadrilha no Caso Maus Caminhos

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Moustafa é acusado de liderar um esquema que desviou R$ 110 milhões da Saúde no Amazonas

O médico Mouhamad Mustafa finalmente abriu o jogo e apontou o contador Gilmar Fernandes como chefe de uma organização criminosa que desviou recursos do sistema de saúde pública do Amazonas. A revelação aconteceu durante audiência na Justiça Federal, nesta sexta-feira (17).

As fraudes foram apontadas durante a Operação “Maus Caminhos”. O montante desviado, segundo a denúncia, ultrapassa R$ 221 milhões. O dinheiro era utilizado na aquisição de bens de alto padrão, como avião a jato e shows particulares de bandas famosas no país.

Durante a audiência de hoje, o médico disse que tomou conhecimento de um desvio de cerca R$ 600 mil depois que a enfermeira Jennifer Nayiara Yochabel Rufino Corrêa da Silva e Priscila Marcolino Coutinho fizeram, segundo ele, investigação e identificaram um esquema que teria sido feito por Gilmar. Elas teriam começado a desconfiar do contador depois da mudança do estilo de vida dele e da família.

De acordo com ele, o contador estaria desviando recursos junto a outro funcionário identificado como André. Os desvios eram feitos por meio das folhas de pagamento. Com esse dinheiro, ele teria construído uma mansão em Manaus.

“A Jennifer me contou que ele (Gilmar) tinha construído uma mansão no meio da favela. Ela chegou a dizer que a piscina dele era maior do que a minha. Apesar de que isso não importa porque eu só queria uma piscina pequena para brincar com meus filhos”, disse Mouhamad Mustafa.

Após a descoberta do desvio por parte dos funcionários, o médico disse que demitiu os dois com todos os direitos trabalhistas. Mustafa disse, ainda, acreditar que Jennifer atuava no esquema, mas disse não ter provas.

No fim do interrogatório, o médico chorou e chegou a pedir para aguardar o processo em liberdade. A juíza disse que não poderia atender ao pedido já que a defesa já havia entrado com habeas corpus no Tribunal de Justiça. O pedido está em análise.

Denúncias

Nesta etapa, são ouvidos, na condição de réus do processo 41-09.2017.4.01.3200, Mouhamad Moustafa, Alessandro Viriato Pacheco, Jennifer Nayiara Yochabel Rufino Corrêa da Silva e Priscila Marcolino Coutinho.

Ao todo, 16 pessoas são acusadas de envolvimento no esquema de desvio de recursos do sistema de saúde pública do estado. Entre os presos estão: Alessandri Viriato Pacheco, Antônio de Melo Marques, Davi de Azevedo Flores, Erhard Lang, Gilberto de Souza Aguiar, Jennifer Naiyara Yochabel Rufino Correa da Silva, Marcia Alessandra Sulva do Nascimento, Mouhamad Moustaf, Pablo Gntzmann Pereira, Pauline Azevedo Sá Campos, Priscila Marcolino Coutinho e Rodrigo Fernandes Arol.

Dailson Marciel de Jesus, Euler de Paula Baumgratz, Gilmar Fernanres Correa e Paulo Roberto Bernardi Galaci não estão presos.

De acordo com o MPF, todos foram acusados de integrar a organização criminosa e as penas podem chegar a até 12 anos. Parte dos acusados também foi denunciada por embaraçar as investigações, podendo pegar pena de até 20 anos por conta dos crimes.

Roberto Brasil