Moro prende lobista e aumenta pressão sobre Cunha

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moro-lobista-cunhaO juiz federal Sérgio Moro transformou nesta sexta-feira (25) a prisão temporária do lobista ligado ao PMDB, João Augusto Rezende Henriques, em preventiva, o que faz com que retire o prazo para ser libertado.

Um dos delatores da Lava Jato, Eduardo Musa, disse que Henriques era ligado ao PMDB e atribuía a si a indicação de Jorge Zelada ao posto de diretor. O lobista teria dito a Musa que a palavra final cabia ao deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

O Ministério Público Federal já havia pedido a prisão preventiva de Henriques na última fase da Operação Lava Jato, mas Moro só permitiu a prisão temporária na ocasião. O engenheiro é acusado de ser operador do partido na diretoria Internacional da Petrobras. Ele foi preso temporariamente na última segunda (21).

Moro citou a existência de contas secretas no exterior como um dos motivos para decretar a preventiva. “O acusado vinha mantendo escondida a própria existência de contas secretas no exterior e nas quais manteria ativos decorrentes de pagamentos de propinas. Apenas a busca e apreensão realizada no dia 21/09 revelou a existência dessas contas, em seguida parcialmente admitida pelo acusado”, diz o despacho do juiz.

Delação – O ex-gerente da área Internacional da Petrobras e mais novo delator da Lava Jato, Eduardo Vaz Costa Musa, afirmou que o presidente da Câmara era “quem dava a palavra final” sobre as indicações dos nomes que ocupariam os cargos na Diretoria Internacional da Petrobras. Musa é o segundo delator a citar o envolvimento direto de Cunha em indicações à área internacional da estatal.

Segundo Musa, o lobista do PMDB João Augusto Henriques, preso nesta semana pela Lava Jato, teria revelado detalhes sobre o funcionamento das indicações. “Que João Augusto Henriques disse ao declarante que conseguiu emplacar Jorge Luiz Zelada para diretor internacional da Petrobras com o apoio do PMDB de Minas Gerais, mas quem dava a palavra final era o deputado federal Eduardo Cunha, do PMDB-RJ”, disse Musa em seu depoimento. Zelada substituiu o ex-diretor Nestor Cerveró à frente da diretoria em 2008. Tanto Musa quanto Zelada foram presos e são réus na Lava Jato.

Fernando Baiano – Também citado como operador do PMDB, Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, complicou a situação do presidente da Câmara. Convertido em delator no início de setembro, Baiano confirmou em seus depoimentos a acusação do lobista Júlio Camargo de que Eduardo Cunha recebeu propina de US$ 5 milhões em contratos de aluguel de navios-sonda da empresa Sansumg para a Petrobras. 247

Roberto Brasil