Moro, PF e procuradores mentem e são dignos de pena, diz Lula

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Oex-presidente Lula disse na noite de sexta-feira (15) em Piracicaba, no interior de São Paulo, que o juiz federal Sergio Moro, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal mentem e são “dignos de pena”.

Ao ver cartazes que protestavam contra uma eventual prisão dele, o ex-presidente disse ter notado que as pessoas estavam sentindo “um pouco de dó” dele. “Olha, comecem a ter dó do Moro, comecem a ter dó do Ministério Público Federal e comecem a ter do da Polícia Federal”, disse o petista. “Eu quero saber como é que eles vão viver e passar para a história a mentira que eles inventaram”.

Lula participou na cidade paulista de um debate sobre educação, ciência e tecnologia promovido pela Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) ao lado de outros petistas –como o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, Aloizio Mercadante e Eduardo Suplicy.

O ex-presidente disse ainda que não precisa provar sua inocência. “Eles que me acusaram, eles que provem minha culpa. Eles têm até o dia 24 de janeiro para provar minha culpa. Têm que mostrar um documento que o apartamento é meu”.

Nesta semana, o TRF4 (Tribunal Federal Regional da 4ª Região) marcou o julgamento de Lula no caso do tríplex para o dia 24 de janeiro. A informação foi antecipada pela Folha de S.Paulo.

Depois da decisão, Lula disse que lutará “até as últimas consequências” para voltar ao Planalto. O petista afirmou ainda que “sendo candidatou ou não, eles vão ter que nos engolir em 2018”.

Também no evento em Piracicaba, Lula atribuiu mentiras à imprensa. “A imprensa conta uma mentira. A Polícia Federal pega essa mentira e faz um inquérito. O inquérito é mentiroso. Aí vai pro Ministério Público, pega o inquérito mentiroso e faz uma denúncia mentirosa”.

O discurso de Lula foi interrompido várias vezes com palmas e gritos de apoio no teatro São José, no centro, que estava lotado –a capacidade é para 2.500 pessoas. Uma fila se formou ao lado do palco para selfies com Lula, enquanto outros petistas discursavam contra o presidente Temer.

Segundo Lula, o juiz federal poderia rejeitar as denúncias, mas não o faz. “Ele reconhece que o apartamento não é meu”.

A corte de segunda instância, que fica em Porto Alegre, é responsável por confirmar ou reverter a condenação da primeira instância do juiz Sergio Moro, que condenou Lula por nove anos e meio de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex no Guarujá (SP) reformado pela empreiteira OAS.

Se ratificada a condenação pelo TRF4, Lula seria enquadrado na Lei da Ficha Limpa, o que o impossibilitaria de disputar as eleições. Porém, as possibilidades de recurso permitem que ele leve sua candidatura adiante. Lula também pode ser preso, após esgotadas as chances de recurso contra uma eventual decisão desfavorável na no TRF.

O caso de Lula tramitou em tempo recorde no tribunal. Foram 42 dias entre a condenação e o início da tramitação do recurso na segunda instância.

Na média, os processos demoraram 102 dias desde a conclusão do voto do relator até o julgamento. No caso de Lula, este intervalo será de 52 dias.

Em nota, a defesa de Lula afirmou nesta semana que agora também precisa debater o caso “sob a perspectiva da violação da isonomia de tratamento, que é uma garantia fundamental de qualquer cidadão”.

“Esperamos que a explicação para essa tramitação recorde seja a facilidade de constatar a nulidade do processo e a inocência de Lula”, afirma o texto do advogado Cristiano Zanin.

Na quinta (14), Lula disse que não podia “reclamar de pressa”, porque sempre criticou a lentidão da Justiça, segundo a presidente do PT, a senadora Gleisi Hoffmann. Lula, porém, cobrou tratamento isonômico do Judiciário, disse Hoffmann.

Lula é acusado de receber R$ 3,7 milhões de propina da OAS em decorrência de contratos da empresa com a Petrobras. O valor, segundo a Procuradoria, se referia à cessão pela OAS do apartamento ao ex-presidente, a reformas feitas pela construtora neste imóvel e ao transporte e armazenamento de seu acervo presidencial.

Roberto Brasil