Ministro vê ‘exagero’ em pedido para adiar Rio-2016

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Ricardo Barros, da Saúde, rebateu carta aberta de 150 especialistas que alertaram sobre risco do zika

Ricardo Barros, da Saúde, rebateu carta aberta de 150 especialistas que alertaram sobre risco do zika

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, classificou de “exagero” a carta aberta preparada por 150 especialistas em saúde pedindo o adiamento da Olimpíada do Rio. No manifesto, divulgado no fim de maio, os autores (norte-americanos, em sua maioria) avaliam que o evento ajudaria a acelerar a disseminação do vírus zika, responsável por epidemias em pelo menos 46 países. “A carta é um exagero. Há um excesso de zelo. A doença já está presente em 60 países. Não será a Olimpíada que vai propagar a doença”, disse o ministro nesta quinta-feira.

Barros citou ainda o fato de a diretora da Organização Mundial de Saúde (OMS), Margareth Chan, vir à Cerimônia de Abertura da Olimpíada. Ele disse considerar o gesto “como uma demonstração pessoal de apoio para as medidas que estamos adotando”, completou.

O ministro afirmou que deverá realizar, em data ainda não definida, uma reunião com integrantes de embaixadas e correspondentes internacionais para falar sobre as providências que estão sendo adotadas no País para combater à doença. De acordo com Barros, foram mobilizados 3,5 mil agentes externos e 2,5 mil funcionários para trabalhar tanto em ações de prevenção quanto de reforço na assistência à saúde.

Na carta, autores do documento acusam a OMS de não adiar o evento para evitar conflito de interesses. Especialistas lembram que a OMS e o Comitê Olímpico Internacional firmaram um acordo em 2010. Esse fato, avaliam, poderia ter abalado a isenção da OMS para avaliar riscos de saúde pública na Olimpíada.

As declarações de Barros foram feitas depois de uma cerimônia, realizada na manhã desta quinta para anunciar o lançamento de um edital de R$ 65 milhões para financiar pesquisas sobre prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças relacionadas ao vírus zika. O edital é uma parceria entre os ministérios da Saúde, Educação e de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação.

Do total, R$ 20 milhões virão do orçamento do Ministério da Saúde, R$ 30 milhões do Ministério de Ciência, Tecnologia, Informação e Comunicação e R$ 15 milhões do Ministério da Educação.

(Com ESTADÃO CONTEÚDO)

 

 

Roberto Brasil