“MEXEU COM UMA, MEXEU COM TODAS”

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A motivação resulta da agressão sofrida por uma trabalhadora da Globo, Su Tonani, que foi assediada sexualmente pelo ator José Mayer, que recentemente na novela das oito interpretava um tipo canalha e machista, que além de violentar a mulher tripudiava sobre o seu corpo com prazer e gozo. Neste caso, a vida imita a arte e o Mayer se ferrou por se comportar como uma besta no cio apto a devorar sua presa, contrariando a norma geral, violentando o direito do outro, partindo pras vias de fato, como se diz na Lei das Contravenções Penais. Moralmente, a tese é verdadeira, mas, politicamente requer estudo e análise quanto à abrangência de suas determinações porque o liberalismo jurídico da igualdade perante a lei é relativo às condições existenciais de cada mulher, considerando, sobretudo, suas condições de trabalho e seu status no processo de produção. É louvável que a Globo enquanto corporação empresarial institua em sua relação de trabalho o combate ao assédio moral e sexual e mais louvável ainda é dar visibilidade ao fato com propósito de combater à violência contra mulher. Contudo, é sempre bom lembrar que tal comportamento ocorre no processo de trabalho a se espraiar na família e por toda sociedade.

PELO DIREITO DA MULHER: A matéria em questão é bastante difusa, em se tratando de uma sociedade de classe marcada pela exploração do trabalho e pelo domínio das oligarquias políticas regionais, que se apropriam dos aparelhos de Estado influenciando nos poderes articulados para garantir e assegurar eleitoralmente o mando da ordem constitucional e o controle do trabalho, visando concentrar riqueza e poder. Nestas circunstancias, a Luta das Mulheres amparada por uma sociedade desenvolvida a partir dos avanços de suas forças produtivas busca assegurar direito na forma da lei com propósito de afirmação da sua liberdade, bem como, o reconhecimento de sua igualdade pessoal na forma do trabalho igual salário igual. Este embate pelo Direito dar-se-á principalmente no processo de trabalho, criando condições materiais para que a pessoa se desenvolva como sujeito de liberdade orientada por sua vontade, em articulação com a política nas suas diversas frentes de combate seja no parlamento, no judiciário e no poder executivo. A porta de entrada e saída é a política. Por isso, faz-se necessário registrar que muito antes das Organizações Multilaterais da ONU, o movimento operário catalisado pelos partidos de esquerda já proclamavam em suas conferências a luta pelo Direito da mulher trabalhadora do campo e da cidade.

ASSÉDIO NA GLOBO: Aproveita-se o fato para mostrar a população que a questão moral e sexual está articulada diretamente com as condições de trabalho e se na Globo mereceu tal visibilidade é possível que os partidos políticos comprometidos com a causa por meio de seus movimentos de luta possam também suscitar debates referenciados na história das mulheres trabalhadoras influenciando a população feminina para luta social contra a burguesia se quiserem se libertar da exploração do trabalho, da injustiça secular e da desigualdade estruturante que massacra homens e mulheres no processo de produção no campo e nas cidades, negando sua individuação e se apropriando de valores, bens e riqueza. Para tal avanço é necessário que os partidos republicanos de linhagem de esquerda criem as condições objetivas para que as mulheres participem diretamente das lutas dos trabalhadores com agendas fincadas em novas bases sociais focadas na organização da produção e de sua existência orientadas por princípios e valores solidários assentados na participação enquanto processo democrático com capilaridade na educação e cultura de nossa gente.

Roberto Brasil