Marcos Rotta mantém convocação de Bumlai

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O presidente da CPI do BNDES, deputado federal Marcos Rotta (PMDB-AM), indeferiu, nesta terça-feira (17), a questão de ordem impetrada pelo deputado federal Carlos Zaratini (PT-SP) e manteve a convocação do empresário Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O requerimento de Zaratini foi uma tentativa da base governista na Câmara de impedir que Bumlai seja ouvido. Na última quinta-feira (12), quando o requerimento de convocação do empresário e pecuarista foi aprovado por 13 votos a 3, os deputados aliados ao governo retiraram-se da comissão e retornaram pouco tempo depois, em maior número.

No pedido à comissão, Zaratini argumentou que os requerimentos para a oitiva de Bumlai não constavam na pauta da sessão de quinta-feira e, por isso, as aprovações contrariaram o Regimento Interno da Casa. Em resposta, Rotta lembrou que os requerimentos integravam a pauta da reunião anterior, de 5 de novembro, e não foram votados por causa do início da ordem do dia no Plenário.

Para estes casos, o Regimento Interno determina que as matérias não votadas em sessão anterior devem ser priorizadas. “Além disso, foi realizada votação com o objetivo de autorizar a retomada destes itens e a maioria do colegiado votou favoravelmente”, declarou Marcos Rotta.

Ao final da audiência desta terça, o parlamentar petista informou que vai recorrer ao Plenário da decisão da mesa da CPI. “Consultei especialistas em regimento, que foram unânimes ao informar que a decisão deste colegiado foi soberana e deveria ser respeitada”, respondeu o presidente da CPI.

Eike Batista – A comissão ainda não definiu a data de convocação de Bumlai para prestar esclarecimentos sobre possível tráfico de influência e favorecimento e contratos com o BNDES. Nesta terça-feira (17), os parlamentares ouviram o depoimento do empresário Eike Batista, do grupo OGX.

Eike chegou por volta de 10h ao plenário 1, onde ocorreu a audiência pública. Ele afirmou que o BNDES financiou cerca de R$ 10 bilhões de um total de R$ 150 bilhões em investimentos. Ainda de acordo com o empresário, os prejuízos de seus empreendimentos não geraram perdas ao Banco de Desenvolvimento.

Eu agradeço a oportunidade de esclarecer inverdades divulgadas pela imprensa”, afirmou, logo no início da oitiva. Eike Batista negou ter qualquer relação com Bumlai ou ter feito acordos escusos para facilitar contratos com o BNDES, inclusive com o ex-presidente Lula. “Nunca tive nada com Bumlai. Já o encontrei duas vezes, mas não tivemos nada”, defendeu-se. 

Questionado por Marcos Rotta se continuava a considerar o BNDES o melhor banco do mundo, como afirmou em 2011, Eike declarou que, em relação ao corpo técnico de bancos de investimentos internacionais, o BNDES permanece o melhor. “Conheço outros bancos de fomento e o BNDES procura criar o fomento do Brasil. O banco investiu comigo exatamente em setores de infraestrutura”, disse.

Mario Dantas