MANAUS, UMA CIDADE DESOLADA

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Ademir-RamosMárcio Souza, em seu folhetim burlesco cripto-baré – A resistível ascensão do Boto Tucuxi – faz qualquer cristão se mijar de rir das leseira dos políticos populistas que ainda boiam como “marinheiros” nas águas do nosso Rio Negro. O regramento destas espécies pauta-se no aforismo político abstraído da escolástica do extrativismo, aqui psicografado em forma de lei, a orientar a bandidagem palaciana quanto ao mérito da prática política visto que, segundo eles, a ordem é: “antes com os bons a furtar do que com os maus a orar”. Usada por esses aventureiros da política, Manaus é uma cidade desolada no Cabaré da Política, onde o calor, sarcasticamente, “convida à deselegância e à falta de pudor. Isto desde antanho, quando não passava de aglomerados de barracos, misturado num só consórcio, tapuias, sinhazinhas, rufiões e obesos curas.”

A cidade cresceu e se tornou um corpo atrofiado com uma grande cabeça com suas artérias entupidas a sofrerem de trombose a sufocar a todos que vivem, moram e trabalham por essas paragens. Em não havendo mobilidade, as pessoas se arrastam pela cidade seja nos carros individuais ou nos transportes coletivos pressionadas muitas vezes pelas ondas de invasão que foi e continua sendo uma grande indústria da especulação a render voto, prestígio e poder no burlesco reino dos governos populistas, que pouco ou nada fazem em atenção à saúde da nossa Manaus, no que diz respeito ao planejamento estruturante, vindo a contemplar a desobstrução de suas artérias para que a cidade viva e a sua população desenvolva-se de forma saudável e sustentável.

No campo da sociologia urbana, Engels descreveu com objetividade a formação e as condições materiais das grandes cidades impulsionadas pela concentração de riqueza sob o domínio da burguesia. “A situação da classe trabalhadora em Inglaterra”, publicada pelos anos de 1840, faz uma etnográfica dos bairros operários de Londres, narrando à situação de vida destes trabalhadores do século XIX, situação esta muito parecida com os bairros de Manaus, em pleno século XXI, então confira: “Habitualmente, as próprias ruas não são planas nem pavimentadas; são sujas, cheias de detritos vegetais e animais, sem esgotos nem canais de escoamento, mas em contrapartida semeadas de charcos estagnados e mal cheirosos (…). De resto, as ruas servem de secadouro, quando há bom tempo; estendem-se cordas duma casa à casa fronteira, onde se pendura a roupa branca e húmida.”

“Ah! Manaus, a tua loucura verde/ é algo que não se aceita/ Vomita-se.” O canto indignado é do poeta Anibal Beça, que praguejou amor e paixão com amargo sabor de descontentamento, acusando a cidade e a todos nós de “vocação para cortesã”. A pecha do poeta atinge a todos que pensa, luta e trabalha politicamente, culturalmente e economicamente pelo reordenamento da nossa Manaus, discutindo e formulando propostas que venham responder questão pertinente à mobilidade e acessibilidade urbana de forma que se possa viver, morar e trabalhar com dignidade.

Para esse fim, a Prefeitura de Manaus articulada com a Câmara Municipal, Ministério Público e outras forças representativas estão promovendo uma série de Audiência Pública por toda a cidade, visando sensibilizar e mobilizar lideranças populares e parlamentares para discutir e pensar Manaus de forma suprapartidária como um corpo vivo a merecer atenção e respeito de todos, principalmente, daqueles que foram eleitos para cuidar da cidade e por consequência da qualidade de vida da nossa gente.

No entanto, o cinismo às vezes tem sido tão grande que chega a embotar a racionalidade de alguns agentes. Pois, em vez de conceber a cidade como coisa pública alguns a tratam como objeto de disputa, usando como trampolim para negociatas e especulações eleitoreiras. O mais grave é a indiferença de outras lideranças e até mesmo de alguns empreendedores que fazem cara de paisagem como se o real problema fosse do outro e nada tivesse a ver com os seus empreendimentos. Gravíssimo ainda é o comportamento do Governo Federal que condena a cidade e o seu povo a própria sorte por não está alinhada ideologicamente com o Governo petista de Dilma Rousseff. Como se sabe, Manaus é governada por um dos valiosos quadros do PSDB, Arthur Virgílio Neto, que mereceu do povo de Manaus a vitória redentora das urnas. De nossa parte, frente à indiferença brutal, a insensibilidade política de nossa bancada federal e o desrespeito do Governo Dilma Rousseff para com a nossa gente, resta-nos protestar contra está prática antidemocrática, não se deixando abater jamais pela mentira e muito menos pelas promessas dos líderes de papel, tomando para si o dever e a responsabilidade de exercer a cidadania como instrumento de controle social em defesa da cidade que queremos para viver, trabalhar na perspectiva da felicidade pública de nossa gente.

Em tempo, reivindico do Poder Público providencie imediatamente quanto às instalações de banheiro químico – feminino e masculino – na Praça Heliodoro Balbi, pelo menos aos sábados, durante a edição do Projeto Jaraqui. Faço isto em nome do Centro dos Amigos da Praça que é um dos parceiros de nossa Confraria.

Roberto Brasil