Mais Mulheres na Política chega ao interior do Amazonas

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mais_mulheres_politicaChega a Manacapuru, nesta sexta-feira (7), a Campanha Mais Mulheres na Política, movimento liderado pela bancada feminina no Congresso Nacional e Procuradoria Especial da Mulher do Senado, que visa sensibilizar a sociedade e o Congresso para a garantia de mais assentos às parlamentares nas casas legislativas do País. Em parceria com a Câmara de Vereadores de Manacapuru, a procuradora da Mulher do Senado, Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), conclama a população para essa luta.

“Já lançamos a campanha em diversas capitais e vamos levar essa luta agora ao interior do nosso Amazonas. Em Manaus, o movimento reuniu líderes políticos, de movimentos populares, incluindo representantes de organizações nacionais e internacionais, como a ONU (Organização das Nações Unidas)”, destacou a senadora Vanessa, que já está articulando para a campanha chegar a outros municípios, como Parintins e Novo Airão.

Para o evento em Manacapuru, que será realizado a partir das 10h desta sexta-feira no Plenário da Câmara Municipal, Vanessa conta com o apoio da Procuradora da Mulher da Câmara local, vereadora Maria Izabel Marinho; do presidente da Casa legislativa, vereador Francisco Bezerra; e da deputada estadual pelo PCdoB-AM, Alessandra Campêlo. Para o evento, aberto ao público em geral, foram convidados vereadores e os movimentos de mulheres de Manacapuru e Manaus, deputados estaduais, o prefeito Jaziel Nunes e o governador do Amazonas, José Melo.

Na prática, a Campanha Mais Mulheres na Política quer garantir na legislação eleitoral que as mulheres tenham acesso a um percentual das vagas nas câmaras de vereadores, assembleias legislativas e no Congresso Nacional. Em junho, a proposta de Emenda Constitucional, que previa 30% dos assentos às parlamentares não foi aprovada por 15 votos. A aparente derrota mostrou, na avaliação da senadora Vanessa, a força de mobilização da Campanha.

A boa votação estimulou a bancada feminina no Congresso a apresentar nova proposta, desta vez com percentual crescente com relação à quantidade de assentos garantidos às mulheres. Começaria com 10% na primeira eleição após a aprovação da proposta, 12% na segunda eleição, até chegar a 15% na terceira eleição. O primeiro passo já foi conquistado, com a proposta sendo aprovada na comissão especial da Reforma Política no Senado, informa a senadora amazonense.

Falta apoio 

Segundo Vanessa, garantir um percentual não é simplesmente instituir uma cota, mas é estimular de fato a participação das mulheres nos parlamentos. Isso porque, acrescenta a senadora, de nada adianta os partidos formalizarem os registros das candidaturas se os mesmos não apoiam as campanhas eleitorais, com recursos humanos e financeiros adequados à disputa eleitoral.

“As mulheres querem e precisam atuar nos parlamentos, até para defender políticas públicas mais adequadas, por exemplo, às mulheres, às famílias, mas elas precisam ser apoiadas de fato”, defende a senadora.

Baixa representatividade

Apesar de ter 52% dos eleitores mulheres, o Brasil está em 156º num ranking de 188 países em representação feminina  nos parlamentos, segundo levantamento realizado pela União Interparlamentar. Está atrás até de países onde as mulheres têm menos direitos do que os homens.

Nas eleições do ano passado, 51 mulheres foram eleitas, mas uma está afastada para ocupar cargo Executivo. São, portanto, apenas 50 deputadas federais de um total de 513. No Senado, elas são 13 de um total de 81 parlamentares.

Na Câmara Municipal de Manaus (CMM), dos 41 vereadores, sete são mulheres. Na Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM), apenas uma deputada, Alessandra Campêlo, do PCdoB, entre os 24 parlamentares da Casa.

Roberto Brasil