Madre Teresa é canonizada pelo Papa Francisco

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Papa Francisco cumprimenta fieis na cerimônia de canonização da Madre Teresa de Calcutá

Papa Francisco cumprimenta fieis na cerimônia de canonização da Madre Teresa de Calcutá

O Papa Francisco canonizou neste domingo a Madre Teresa de Calcutá, em uma missa para mais de 100.000 pessoas na praça de São Pedro, no Vaticano. “Nós declaramos a beata Teresa de Calcutá santa, decretando que deve ser venerada como tal por toda a igreja”, disse o Papa, em uma cerimônia, provocando o aplauso de toda a congregação.

Nascida em uma família albanesa, na Macedônia, Madre Teresa fundou as Missionárias da Caridade em 1950, com 12 seguidores em Calcutá, Índia. Atualmente, a ordem percorre hospitais, asilos, abrigos e outros serviços em mais de 139 países.

Madre Teresa recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1979. Em 1997, 18 meses após a sua morte, o Papa João Paulo II iniciou o processo de canonização, sendo beatificada em 2003. A canonização de Madre Teresa ocorre um dia antes do 19º aniversário de sua morte, 5 de setembro, e entrará no calendário da Igreja Católica.

Madre Teresa foi uma das mulheres mais influentes dos 2.000 anos de história da igreja, aclamada por seu trabalho com os mais pobres do mundo nas favelas de Calcutá. Embora criticada durante a vida e após a morte, a santa é reverenciada pelos católicos como um modelo de compaixão que levou alívio aos doentes e moribundos, abrindo filiais de suas Missionárias da Caridade (M.C.) em todo o mundo.

Milagre – Um dos milagres que concedeu a canonização a Madre Teresa aconteceu em 2008 em solo brasileiro. Marcilio Haddad Andrino foi internado às pressas em um hospital de Santos por causa de uma severa infecção viral no cérebro, mas foi curado após sua esposa, Fernanda, ser aconselhada a rezar para a beata. Foram necessários sete anos entre o encaminhamento do processo, alguns atestados médicos dizendo não haver explicação científica para o ocorrido e a comprovação do milagre pelo Vaticano.

Andrino, que tem 43 anos e mora no Rio de Janeiro, disse nesta sexta-feira durante entrevista coletiva no Vaticano que se sente muito grato, mas que pensa que qualquer pessoa poderia ter sido igualmente beneficiada pela intervenção. “Se não tivesse acontecido comigo, talvez fosse com outra pessoa amanhã. Ela não diferenciava. Não me sinto especial”, disse Andrino, que deve participar da cerimônia deste domingo com sua esposa, Fernanda.

Ao milagre de sua cura se soma o de ter podido ser pai, pois os médicos lhe disseram que “com todos os remédios que tinha tomado a probabilidade de ter filhos era de 1%”, contou. “Seis meses depois de sair do hospital, após uma breve reabilitação, voltei ao trabalho e um mês depois a Fernanda começou a se sentir mal. Fomos ao médico e descobrimos que ela estava grávida”, acrescentou Andrino.

O outro milagre contabilizado foi o de Monica Besra, uma indiana de 34 anos que tinha um câncer no abdômen e foi curada em 1998, milagre eleito para a beatificação. “Mesmo na cultura popular ela é identificada com a bondade, a gentileza, a caridade”, disse o padre Brian Kolodiejchuk, integrante da organização fundada por Madre Teresa que fez campanha por sua canonização.

Críticas – Seus críticos a veem de outro modo, argumentando que ela fez pouco para aliviar a dor de doentes terminais e nada para erradicar as causas da pobreza. Na Índia, uma nação predominantemente hindu, Madre Teresa foi acusada de tentar converter os desamparados ao cristianismo.

Em 1991, o periódico científico britânico Lancet visitou uma casa para moribundos que ela administrava em Calcutá e afirmou que cuidadores sem treinamento eram incapazes de reconhecer quando alguns pacientes poderiam ter sido curados. O padre Kolodiejchuk disse que seus detratores não entenderam o propósito de sua missão, alegando que ela criou um lugar para confortar as pessoas em seus últimos dias, em vez de estabelecer hospitais. “Não temos que provar que santos foram perfeitos, porque ninguém é perfeito”, disse.

*Com informações VEJA

Roberto Brasil