Lula ironiza Moro por receber auxílio-moradia

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Lula durante a missa de 1 ano de falecimento da ex-primeira-dama Marisa Letícia – Foto: Nelson Almeida/AFP

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ironizou o juiz Sergio Moro nesta segunda-feira, após a controvérsia pelo magistrado da Operação Lava Jato receber auxílio-moradia mesmo possuindo um apartamento próprio em Curitiba. “Eu tenho um conselho: o povo brasileiro que não recebe reajuste agora já pode requerer auxílio-moradia, como o Moro fez”, disse, em entrevista à Rádio Jornal, de Recife (PE).

Entre outras críticas ao juiz que o condenou em primeira instância, o petista também ressaltou que Moro recebe “um alto salário, 30.000 reais por mês”. Ao jornal O Globo, o juiz federal utilizou o fato de não obter reajuste desde 2015 como compensação para o benefício mensal de 4.377 reais – que, apesar de discutível moralmente, é autorizado por uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF).

Lula também se disse “pasmo” com a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), que manteve a sentença do juiz federal e aumentou a pena pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro para o total de doze anos e um mês.

“Eu imaginava que a segunda instância viria para corrigir. Fiquei pasmo que os juízes estavam mais preocupados em livrar a cara da primeira instância”, criticou o ex-presidente, que também chamou os integrantes da força-tarefa da Lava Jato de “bando de messiânicos” que tentam “transformar as mentiras deles em verdade”.

O ex-presidente voltou a articular alguns dos argumentos da sua defesa ao TRF4. Afirmou que o apartamento tríplex no Guarujá “nunca foi dele” e que “não tinha como saber” o que estava acontecendo na Petrobras. “Eles querem que eu saiba o que está acontecendo no Acre, na Bahia, no Sergipe, no Rio de Janeiro…”, disse o petista.

No julgamento em que Lula foi condenado por 3 votos a 0 na segunda instância, os desembargadores João Pedro Gebran, Leandro Paulsen e Victor Laus corroboraram as teses do juiz Sergio Moro, segundo as quais não é preciso que haja a transferência efetiva do imóvel para o nome do ex-presidente para que seja consumado o crime de corrupção.

Da mesma forma, concordaram que Lula agiu para nomear os diretores da Petrobras que atuaram, dentro do âmbito dos fatos investigados pela Lava Jato, para beneficiar as empreiteiras investigadas.

Candidato

Durante a entrevista, o ex-presidente disse acreditar que, “no final”, vai conseguir ser candidato “porque a verdade vai prevalecer”. Ele elogiou a Lei da Ficha Limpa, que proíbe a eleição de condenados em segunda instância, mas disse que não poderia escapar da norma nem “de nenhuma outra” se tivesse cometido crimes, o que considera que não aconteceu. Com informações da Veja.

Roberto Brasil