Laudo confirma a causa da morte de Belchior

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O cantor e compositor Belchior, nos anos 80 (João Santos/Revista Contigo)

A hipótese de que o cantor e compositor Belchior teria morrido devido ao rompimento de uma parede da artéria aorta foi confirmada pela autópsia. A informação consta do laudo elaborado após o exame do corpo do músico, encontrado sem vida pela mulher, Edna Prometeu, na manhã do último domingo. Ele morreu enquanto dormia na casa que dividia com Edna em Santa Cruz do Sul, interior do Rio Grande do Sul. Belchior tinha 70 anos.

Houve dissecação, ou destruição voluntária, da aorta, de acordo com a Delegacia de Polícia Regional de Santa Cruz do Sul. Uma das duas camadas da artéria se rompeu sozinha. A morte, portanto, teve causa natural. De qualquer maneira, a polícia ainda aguarda o resultado do exame toxicológico, que é praxe nesses casos.

Belchior e Edna moravam na casa de um amigo, uma das tantas que ocuparam desde 2009, sempre graças a favores de conhecidos, porque estariam sem dinheiro. Sucesso nos anos 1970 com músicas que se tornaram clássicos da MPB, caso de Como Nossos Pais, Belchior havia optado pelo afastamento do showbiz. Não teria, porém, deixado de criar: seu último parceiro musical, o violonista Diego Figueiredo, diz guardar músicas inéditas do cantor.

Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, que teria morrido ouvindo música clássica na sala de estar da casa, era apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior – do Ceará, da cidade de Sobral – quando abandonou a faculdade de Medicina no quarto ano e também o Nordeste para tentar a carreira na música. Era 1971, cinco anos antes de sua grande obra-prima, o LP Alucinação, ganhar as paradas. O destino foi o Rio de Janeiro.

Com a canção Mucuripe, já em 1972, começou a mostrar sua cara e sua música, como compositor, em uma parceria com o também cearense Fagner. A faixa foi gravada na voz de Elis Regina. Dois anos depois, se lançou como cantor. O primeiro LP trazia músicas como Na Hora do Almoço, A Palo Seco e Todo Sujo de Batom, em uma época em que Belchior ainda não havia atingido os grandes palcos e suas apresentações aconteciam em escolas, teatros e até penitenciárias.

(DA VEJA)

Roberto Brasil