Karl Marx na Floresta Amazônica

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Em meio a ditadura militar que se instalara no país, Orlando Farias se considerava um marxista-leninista e grande admirador de Gramsci, seguindo a ideologia do filosofo italiano logo se engajou em movimentos estudantis e ingressou no clandestino Partido Comunista Brasileiro (PCB), o popular Partidão.

“Os grandes intelectuais ou essa nova safra de intelectuais estavam organizados dentro do Partido Comunista Brasileiro. A participação do Orlando foi fundamental, pois era uma pessoa que conseguia agregar a maioria desses companheiros. Nós trabalhamos muito bem porque fazíamos parte do comitê estadual do partido e a nossa militância também na área da cultura”, contou Guto Rodrigues.

Durante a regime ditatorial, Orlando participou de muitas manifestações popular. Ele se orgulhava, entre outras coisas, de ter contribuído na luta da população local pela retomada da democracia e ter participado da conquista da meia-passagem estudantil que até hoje é um dos grandes direitos dos estudantes

“O Orlando sempre foi uma pessoa com uma munheca boa para escrever, sempre teve um bom texto, era membro e participava ativamente do grupo, esse grupo fez uma história na Universidade do Amazonas, muita gente esquece mais a meia passagem foi conquistada nessa época em que os estudantes fizeram os primeiros movimentos”, falou o ex-parlamentar João Tomé.

Mesmo quando era apenas um aluno do curso de comunicação da UFAM, que na época se chamava UA, Orlando Farias já se mostrava altamente inteligente e talentoso, uma pessoa inconformada com as injustiças e desigualdades sociais, qualidades que contribuíram para que ele se tornasse um exímio jornalista

“O Orlando era um amante da liberdade, ele enfrentou o regime autoritário, ele usou da sua pena prodigiosa para escrever coisas boas e que incutiam nas pessoas que liam o que ele escrevia o sentimento de democracia e de liberdade, eu tenho por ele um carinho muito grande, uma grande saudade e acredito que uma das mais brilhantes penas que passaram pelo jornalismo da nossa terra e sem dever nada as melhores penas do Brasil se chamou em vida Jornalista Orlando Farias”, disse Artur Neto, prefeito de Manaus.

Segundo um de seus companheiros de trabalho, Orlando queria aprender inglês para ser correspondente internacional. Ele sonhava em ir para o Afeganistão onde “as coisas estavam acontecendo”. Quis o destino que ele ficasse em Manaus e se especializasse em jornalismo político e virasse um dos grandes nomes da comunicação amazonense./// Luciano Farias

Roberto Brasil