Junta Governativa identifica irregularidades no Sindmetal e descobre empréstimo de R$ 500 mil, mas o dinheiro sumiu

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O perito Gustavo Merolli e Adriano Simões, presidente da Junta Governativa falaram das irregularidades encontradas

O perito Gustavo Merolli e Adriano Simões, presidente da Junta Governativa falaram das irregularidades encontradas

O Sindicato dos Metalúrgicos, segundo o presidente da junta governativa, Adriano Simões Mendes, nomeado no final de setembro pela Justiça do Trabalho para apurar possíveis fraudes ocorridas na entidade, está com as contas bancárias quase zeradas, embora arrecada todos os meses cerca de R$ 1,5 milhões.

 

Nem mesmo o empréstimo de R$ 500 mil realizado pela diretoria destituída foi encontrado pela junta governativa.

Nos corredores do sindicato comentam-se que o empréstimo de R$ 500 mil teria sido usado por Valdemir Santana para pagar uma certa condenação da Justiça Federal por crime de improbidade administrativa. A condenação impunha a Valdemir devolução superior a R$ 430 mil.

“Na verdade tudo foi preparado para quem chegasse ao sindicato não encontrasse vestígios de eventuais desvios, como pagamento suspeitos, por exemplo”, destaca, informando ter sumido os HDs dos computadores e vários documentos do sindicato.

Outra irregularidade apontada pelo presidente da junta e pelo perito Gustavo Merolli, está relacionada ao pagamento do balneário localizado no quilômetro 27 da AM-010 (Manaus/Itacoatiara). As despesas, segundo ele, chegavam a R$ 50 mil e eram pagas à pessoa sem nenhum vínculo com a entidade dos trabalhadores.

No dia 7 de outubro será entregue à justiça o primeiro relatório do que já foi apurado. A junta governativa provisória assumiu o comando do sindicato por 90 dias, prorrogáveis por igual período, para apurar as denúncias a fim de que possam ser realizadas novas eleições.

Entenda o caso

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, Valdemiir de Souza Santana, conforme denúncia no Ministério Público Federal, é apontado como autor de suposta maracutaia promovida com recursos da entidade sindical em benefício próprio ou de “terceiros”.

De acordo com a denúncia, caracterizada como crime de improbidade administrativa, Valdemir Santana, estaria promovendo pesados investimentos no antigo balneário do sindicato, leiloado e arrematada por Maurício Fonseca da Silva, um humilde cidadão residente no bairro da Raiz, na Zona Sul de Manaus.

O que surpreende, além das parcas e diminutas condições financeiras de Maurício Fonseca, amigo particular e da convivência íntima de Valdemir, é o fato de o mesmo continuar investindo em um bem que já não pertence ao acervo patrimonial da entidade sindical.

É importante ressaltar que os recursos saídos do bolso dos operários sindicalizados na entidade não foram direcionados para melhorar uma área qualquer, com um igarapé e um campinho de pelada para o lazer dos trabalhadores.

A sede campestre que já não pertence ao sindicato está avaliada, conforme consta nos autos do Ministério Público Federal, em R$ 30 milhões de reais, um patrimônio que foi leiloado em novembro de 2006 por R$ 351 mil reais por débitos com o INSS.

Condomínio de luxo

Ainda no Ministério Público Federal e no mesmo processo, pode ser constatado algo no mínimo surpreendente para os padrões de um simples operário do Distrito Industrial.

Consta que da casa de Valdemir Santana, localizada no condomínio Forest Hill, foi roubado, conforme Boletim de Ocorrência 15E.144.0003378, registrado no dia 22 de abril, a importância de R$ 200 mil, além de jóias e outros bens de valor.

À julgar pelas informações colhidas do processo, Valdemir Santana está bamburrando – numa linguagem bem usual nos corredores da entidade que dirige.

Afinal, não é na casa de qualquer um operário que pode ser encontrado e roubado 15 relógios de marcas diversas, duas máquinas fotográficas digitais, uma máquina filmadora, uma pulseira em ouro, um celular Samsung S5, três celulares Samsung mini-poket, duas mochilas   de couro preto, um terço em outro 19 kits, um bracelete em ouro, uma medalha em ouro, um par de brinco em ouro.

Como pode se ver só coisa de primeira categoria, top de linha, como se costuma falar nos dias de hoje em relação a tudo o que é de melhor.//Fato Amazônico

 

Mario Dantas