Jornalista algemado por agentes do Detran-AM

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O jornalista, Clóvis de Miranda Pereira, profissional filiado ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Amazonas (SJP/AM) na última terça-feira, 09 de fevereiro, foi detido e algemado de forma abusiva, por agentes do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas – Detran/AM, durante a realização do carnaval da Banda do Galo da Madrugada, em Manaus.

Com uso de seu celular, o profissional filmava, primeiramente, um tumulto com tiros de balas de borracha e uso de bombas de gás lacrimogêneo pela Polícia Militar do Amazonas (PMAM) até chegar o local onde os agentes realizavam a operação de fiscalização da Lei Seca.

Os agentes públicos ignoraram o fato do profissional ter se apresentado como jornalista, não admitiram a continuação da filmagem e, após alguns minutos, o coordenador da operação de trânsito, David Fernandes, deu voz de prisão e algemou o jornalista, sob alegação de que o mesmo estaria tentando impedir a apreensão dos carros sob investigação dos funcionários do órgão de trânsito do Governo do Amazonas.

O Sindicato de classe esclarece aos órgãos públicos e estes deveriam fazê-los aos seus prepostos em ações que atuam e representam a administração estadual, que o jornalista é profissional atuante 24h por dia, quando um fato ou informação seja de interesse público, mesmo que esteja de folga da empresa onde trabalha. Portanto, é direito fundamental dos jornalistas o acesso à informação de relevante interesse público (Art. 2º – Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros).

O Detran/Am ou qualquer outro órgão público não pode impedir o livre exercício do profissional e neste caso em questão, falha ainda mais ao atribuir poderes ao jornalista que o mesmo não tem, ao afirmar em nota pública que o profissional “tentou impedir a apreensão dos carros”. Como consequência, fica a pergunta: se o que está sendo feito publicamente é legal, por que o medo e a proibição de ser filmado ou fotografado em uma via pública?.
Mas o problema ao exercício profissional não termina por aí. Blogs que não praticam jornalismo de qualidade e ético, e por isso, o que publicam não pode ser levado a sério,
buscando desqualificar a ação do jornalista, ao colocá-lo como bêbado nas redes sociais. E, jogá-lo contra a polícia ao afirmar que o jornalista Clóvis Miranda era “doido para matar um policial”.

Outro fato grave que deve ser registrado, ocorreu com o vídeo que contém as imagens do episódio feitas pelo jornalista e entregue à direção do Detran/Am. O vídeo inserido por um blog nas redes sociais apresenta cortes e adulterações com a finalidade de mostrar o jornalista como responsável por toda situação ocorrida.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Amazonas – SJP/AM, comunicará o ocorrido à Federação Nacional dos Jornalistas – Fenaj e se solidariza com o jornalista Clóvis Miranda, ganhador do Prêmio Esso de Fotografia, em 2008 e profissional admirado por seus colegas de trabalho.

Diante dos fatos, exigimos que a direção do Detran-Am, instaure sindicância para apurar os fatos com rigor e puna de forma exemplar os responsáveis.

DIRETORIA
SINDICATO DOS JORNALISTAS PROFISSIONAIS NO ESTADO DO AMAZONAS – SJPAM

Mario Dantas