João Thomé Mestrinho é o novo representante de Itacoatiara na capital

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João Thomé Mestrinho

Da Redação – O município de Itacoatiara (distante 270 km de Manaus) possui hoje o terceiro maior colégio eleitoral do interior amazonense, além de ser o maior polo agropecuário da região Norte do país. Recentemente, passou a contar com um novo representante na capital. Trata-se de João Thomé Mestrinho, filho do saudoso Gilberto “Boto” Mestrinho, que possui vasta experiência tanto na área política quanto social. Ele concedeu entrevista exclusiva ao Blog da Floresta para falar sobre a nova missão.

João Thomé afirma que aceitou o convite pelo conhecimento que tem de pessoas e instituições objetivando atrair investimentos e até parcerias com a prefeitura da “Pedra Pintada”, sem levar em questão bandeiras partidárias. “Infelizmente, as pessoas confundem política. Ou você está do meu lado ou é meu inimigo. Isso é um erro porque o estado e os municípios não podem ficar na dependência desse tipo de política. A política local não se modernizou. As pessoas falam muito em democracia, mas não exercem a democracia. Eu sempre digo uma coisa: difícil não foi reconquistar a democracia. Difícil é mantê-la e exercê-la plenamente”, disse.

Ele afirma ainda que ser representante de um município como Itacoatiara tem seus desafios, pois será um “braço” da prefeitura na capital. O setor da saúde é um dos mais requisitados pela falta de um atendimento mais especializado e só encontrado em Manaus. “Sabemos que passamos por um momento de crise. A situação de recursos são escassos. A saúde é um dos setores que geram um dos maiores custos administrativos e Itacoatiara não está fora desse contexto. No caso especifico da representação temos a missão de buscar não apenas meios para resolver problemas desta natureza, mas como também pensar em coisas maiores, como desenvolver a cultura e os processos produtivos de lá. Criar alternativas econômicas. Um município onde as pessoas possam se empregar, trabalhar, sobreviver e contribuir com o desenvolvimento da cidade e do estado”, destaca.

Em relação ao desenvolvimento econômico dos municípios fez questão de frisar os problemas enfrentados. “Hoje em dia o nosso interior está atravessando uma dificuldade muito grande. Primeiro nós temos um problema seríssimos no estado do Amazonas que é a logística de transporte. Aqui as distancias não são medidas pelo relógio e sim pela folhinha, o calendário. Quantos dias pra se chegar no município tal? Itacoatiara é pertinho de Manaus com 260 quilômetros. No sul , com essa mesmas distância já passamos por quatro ou cinco municípios. Então é uma logística muito complicada. Nossos municipios, com raras excessões, andam de pires na mão, pois não têm receita própria para que possam caminhar com as próprias pernas. Esses vivem de repasses, tanto a nível de governo federal quanto a nível do governo estadual.”

Estrada de Ferro

Com uma economia fragilizada e logística difícil entende que as pessoas precisam pensar a médio e longo prazo. “Se você pensa a médio e longo prazo, vamos pensar em estrada de ferro e não temos isso no Amazonas. O pessoal quer recuperar a BR-319, mas ela, é bom que se diga, só pega carga de um eixo, caminhão de um eixo. Então esse caminhão de um eixo só pode carregar até 9 toneladas. O custo da mercadoria em termos de transporte fica caríssimo. Nós não vamos ficar competitivos ainda. Carro de passeio tudo bem, mas quem é que vai passear todo dia em Humaitá ou Porto Velho? Se fosse uma estrada de ferro de carga e passageiro, aí sim você poderia levar carga e passageiro. As pessoas se quisessem sair para outro estado botavam seu carro em cima do vagão e iam como passageiro. Lá pegava o carro e seguia viagem pra conhecer o resto do Brasil”, afirma.

Política atual

João Tomé vê com desapontamento a política atual brasileira, particularmente por fazer parte do maior partido existente. “Todos os partidos, sem exceção, abdicaram da questão ideológica básica e dos princípios básicos. Eu sou um dos fundadores do PMDB e vejo com uma certa tristeza a legenda compactuar com essa coisa. Não são todos peemedebistas que aceitam isso e hoje nós somos minoria dentro do partido, mas se alguém disser por que você não muda de partido? Porque não existe outro partido. Todos são iguais. Então o que nós podemos fazer são duas coisas só: continuar ou tentar o feito Dom Quixote – lutar contra o moinho de vento ou abandonar a política. Não tem outra saída.”

Eleições 2018

Aproveitou a oportunidade para esclarecer sobre uma declaração feita que participaria do próximo pleito. “Olha, eu brinquei. Tem certas brincadeiras que a gente não deve fazer. Acho a Operação Lava Jato é uma coisa boa que está acontecendo no país. Só espero que não se politize a operação para que ela possa sobreviver, pois se isso acontecer ele se destrói. Então eu acho que ela tem que continuar e as pessoas que cometeram erro tem que pagar”, finaliza.///Luciano Farias

Roberto Brasil