Investigação confirma que Dilma avisou marqueteiros sobre prisão

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Dilma de fato trocou mensagens e telefonemas com Mônica e Santana, segundo as investigações. (Foto: Evelson Freitas/AE)

As investigações confirmaram delação do casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura, citada na denúncia do ex-procurador-geral Rodrigo Janot contra os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, de que a ex-presidente petista os informou de que eles seriam presos. A denúncia envolve também o ex-ministro Aloízio Mercadante no crime.

Janot informa em sua denúncia que Dilma Rousseff de fato trocou mensagens e telefonemas com o casal. Em maio deste ano, a delação dos marqueteiros veio a público. Na época, Dilma disse que a versão era “fantasiosa”.

Mônica contou que ela e Dilma usavam uma conta de e-mail para se comunicar. Mas não enviavam as mensagens e sim salvavam no rascunho. Os textos eram apagados depois de lidos.

De acordo com Janot, as investigações confirmam telefonemas entre Mônica Moura e terminais cadastrados em nome da Presidência. Com isso, ainda segundo a denúncia, o casal de marqueteiros se preparou contra diligências, como buscas e apreensões e prisão.

No total, três contas de e-mail foram criadas para o contato. Em uma das mensagens, em dezembro de 2015, Dilma dizia: “O seu grande amigo está muito doente. Os médicos consideram que o risco é máximo. O pior é que a esposa, que sempre tratou dele, agora está com câncer e com o mesmo risco. Os médicos acompanham os dois dia e noite”.

Segundo Mônica, em delação, a advertência foi reiterada por meio de telefonemas, nos dias 20 e 21 de dezembro de 2015.

Segundo Janot, ficou confirmada a criação dos e-mails e que eles eram utilizados para o ‘repasse de informações cifradas sobreo o andamento de investigações sigilosas relacionadas ao casal de publicitários mencionado, que havia recebido recursos ilícitos para prestação de serviços à campanha presidencial de 2010, o que permitiu aos investigados se precaver de medidas cautelares como buscas e apreensões e prisões’.

Lula e Mercadante foram denunciados uma vez cada e Dilma, três vezes. Segundo Janot, a nomeação de Lula para o cargo de ministro da Casa Civil, em março de 2016, serviu para proteção do ex-presidente. E que Mercadante foi emissário de Dilma para falar com um assessor do ex-senador Delcídio Amaral para tentar evitar que ele firmasse um acordo de delação premiada. Delcídio, que ficou preso até fevereiro de 2016, acabou se tornando delator.

(Por Diário do Poder)

Roberto Brasil