Invasores ocupam terreno de preservação ambiental no Mundo Novo

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Os invasores começaram a ocupar o local há quinze dias e não pretendem sair. (Foto: Euzivaldo Queiroz)

Encorajados pela sensação de impunidade diante do alto índice de ocupações irregulares na capital amazonense, um grupo de aproximadamente 150 famílias invadiu uma Área de Preservação Permanente (APP) e uma propriedade particular e começou a construir casas no conjunto Mundo Novo, localizado no bairro Cidade Nova, na Zona Norte.

Segundo moradores do conjunto, que pediram para não serem identificados por medo de represálias, os invasores começaram a ocupar o lugar há 15 dias. A maior preocupação dos moradores do conjunto é com relação ao crime contra a fauna e a flora, já que árvores estão sendo derrubadas e animais, como sauins-de-coleira, fogem desesperados todos os dias em virtude da ação dos invasores.

Conforme dados da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), com essa nova invasão, sobre para 27 o número de focos de ocupações irregulares em Manaus este ano. No ano passado foram contabilizados 48 registros de focos.

Dos 27 focos de ocupações irregulares deste ano, em áreas verdes e de preservação permanente, a maioria fica localizada nas zonas Leste e Norte, com predominância de ocorrências nos bairros Nova Cidade, Cidade Nova, Novo Aleixo, Tarumã e Santa Inês, conjuntos Cidadão 7 e Viver Melhor 3 e comunidade São Lucas.
Ainda conforme relatos dos moradores, os invasores fazem ameaças sempre que são questionados sobre o motivo de estarem destruindo áreas de preservação permanente e afirmaram que irão fazer fechar a avenida Max Teixeira como forma de protesto caso nenhuma atitude seja tomada pelos órgãos públicos.

Demarcações

Na manhã de ontem, os invasores erguiam barracos, limpavam lotes e demarcavam novos terrenos. Na invasão, um grupo de pessoas, que não quiseram se identificar, contou que a ocupação irregular iniciou após muitos deles não terem mais condições de pagar aluguel das casas em que moravam. Todos, segundo relatos, moravam próximo da área verde e viram no local a esperança de viver sem pagar aluguel.

Segundo eles, apesar do medo de serem expulsos do local, a atitude extrema foi tomada após tentativas de diálogo com órgãos públicos para entrar em programas sociais.
O grupo de invasores afirmou que não irá sair do local e que estão fazendo “bem para tona a comunidade”. Segundo eles, o local era usado como esconderijo de bandidos e ponto de “desova” de cadáveres.

Contudo, moradores do conjunto exigem a saída dos invasores do local e têm medo de ameaças. Uma dona de casa, de 39 anos, afirmou que uma família de invasores construiu um barraco a poucos metros da casa dela, de forma totalmente irregular, e teme pela segurança da família em caso de denúncias.

Área está sob monitoramento, informou a Semmas

A CRÍTICA entrou em contato com a Semmas para questionar sobre o que ações seriam tomadas contra a invasão na APP. Em nota, a pasta informou que constatou a invasão na quinta-feira, acionou o Grupo Integrado de Prevenção às Invasões em Áreas Públicas (Gipiap) e ontem voltou ao local para fazer  o monitoramento da área.

Na manhã de ontem, servidores do Grupo de Prevenção às Invasões em Áreas Públicas no Estado do Amazonas (Gipiap) e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade fizeram a retirada de um contêiner que funcionava como oficina mecânica no conjunto Renato Souza Ointo 1, localizado na Cidade Nova, também na Zona Norte da cidade.

Contêiner retirado de terreno

O local vinha sendo ocupado irregularmente há cerca de três meses e o responsável nunca era encontrado no local durante as vistorias realizadas pelo Departamento de Fiscalização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas).

Após confusão em terreno invadido há 13 anos, empresário pode ser retirado do local

O empresário Francisco Araújo Silva, que invadiu e construiu um supermercado em uma área do Governo do Estado, próximo de onde está sendo construído o corredor exclusivo para ônibus da avenida das Flores, localizada no Nova Cidade, Zona Norte da cidade, não vai ganhar a posse do terreno do poder público. Pelo menos, é o que garante a Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra).

Na manhã de quinta-feira, o empresário tentou impedir uma ação de funcionários da obra que retiraram uma cerca do estacionamento do supermercado – que ficava no terreno público – para que os trabalhos no canteiro de obras pudessem continuar. Na ocasião, a Seinfra informou apenas que a obra tomaria apenas três metros do terreno onde foi erguido, irregularmente, o supermercado.

Ontem, a pasta afirmou que o comerciante foi notificado pelo Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) e pela Superintendência Estadual de Habitação (Suhab) com prazos de desocupação física. Ainda segundo a Seinfra, “não constam registros de doação ao empresário” e área demarcada no projeto para construção da alça viária foi equivalente a três metros, da área total ocupada, que estava sendo utilizada como estacionamento de veículos.

Mas, de acordo com a secretaria, a área necessária à construção do corredor exclusivo para ônibus da avenida das Flores, que está inserida na matrícula pertencente à Suhab, tem 30 metros sendo ocupados de forma irregular pelo comerciante, área que deverá ser desocupada pelo empresário.

A CRÍTICA entrou em contato com a  Superintendência Estadual de Habitação (Suhab) para questionar que ações serão tomadas para reaver a posse do local ou se o empresário faria alguma compensação para continuar utilizando o local. Contudo, até o fechamento desta edição, não obteve respostas. / Portal A Crítica

Roberto Brasil