Hospital do Sangue, a sua luta

By -
Nelson Fraji

Nelson Fraji

O Brasil é um país desigual, suas distorções no campo da assistência à saúde é gritante. Regiões como a Sudeste e a região Sul, concentram os melhores e mais avançados serviços de saúde, assim como as melhores Instituições de ensino e pesquisa. Nas regiões Nordeste e Norte carecemos de mínimas condições para a garantia da sobrevivência das pessoas. Esta situação foi construída ao longo dos séculos, onde as elites governantes destinaram os melhores recursos e esforços do país para o atendimento das demandas destas regiões mais aquinhoadas. Desde a Ditadura do Estado Novo, estas distorções vêm se aprofundando. Hoje chegamos à condição de ao buscarmos, no ambiente democrático, o conserto destas distorções somos confrontados com os embates e disputas por verbas e projetos sob a égide de competição onde os Estados mais fracos têm que pelejar com os estados poderosos como se iguais fossem. Lamentavelmente, mesmo com o avanço do processo democrático as populações dos Estados com mais carências ainda têm que militar com suas próprias forças e poucos recursos para conseguir algum avanço na superação deste atraso.

Nossa luta se inicia com o inconformismo com a condição de atraso e submissão. No Hemoam estamos nos esforçando há mais de 3 décadas. Primeiro, lutamos pela criação do Programa Nacional do Sangue que assegura, desde 1980, a todos os Estados, a condição de ter sangue para a transfusão com segurança e qualidade. Como em nossa trajetória estamos há 33 anos realizando, também, a assistência médica aos portadores de doenças do sangue, o Hemoam passou a trilhar um caminho paralelo ao dos outros Hemocentros do país.

A tarefa de oferecer e garantir assistência integral ao grupo de doenças do sangue se insere na condição de haver competência especializada, instrumental sofisticado para o diagnóstico e uso de insumos terapêuticos de alto custo. Essas condições foram construídas pelo Hemoam nestes 33 anos de existência, com o objetivo de assegurar a assistência médica da melhor qualidade e que seja para todos.

De um pequeno consultório no Hospital Getúlio Vargas, da Universidade Federal do Amazonas, evoluímos para uma estrutura de 10 mil metros quadrados, onde dispomos de uma pequena enfermaria de 22 leitos e algumas salas de ambulatório. Entretanto, há 10 anos o Ministério da Saúde determinou, corretamente, que a assistência a pacientes com doenças onco hematológicas, como as Leucemias e os Linfomas, somente poderiam ser realizadas em hospitais especializados. Portanto, há 10 anos, o Hemoam luta para conquistar esta condição, dado que todos os portadores de doenças do sangue, benignas e malignas são tratados no Hemoam, que é o centro de referência no Estado, para esses tipos de doenças.

O Hospital do Sangue é o que nos falta, para que os cidadãos que vivem no Amazonas e redondezas, possam ter o mesmo direito que os cidadãos que vivem no Sul e Sudeste.

Ao apresentarmos o problema à bancada de parlamentares, no ano de 2010, iniciamos uma trajetória de lutas conjunta com o governo do Estado, para assegurar a conquista deste direito de cidadania.

O Hospital foi projetado para o atendimento da demanda dos próximos 20 a 30 anos e terá 150 leitos, UTI, centro cirúrgico, enfermaria de crianças e adultos, enfermarias de curta permanência e abrigará o atendimento de todos os canceres da infância. É uma obra que se integrará ao complexo de instalações do Hemoam e terá 15 mil metros quadrados.

O seu financiamento partilha recursos federais e do Estado e, dado o cenário de crise financeira, tanto no governo federal quanto no governo estadual, a finalização da obra prevista para este ano de 2016, está sob o risco de se eternizar.

Esse risco de eternização da obra tem um preço, e ele será pago pelas pessoas que precisam desse hospital. Por isso, é fundamental que a sociedade tenha o conhecimento da situação, para que possamos, juntos, governo e sociedade impedirmos o atraso na conclusão deste projeto. O custo em vidas e sofrimento de nossas crianças e adultos que buscam no Hemoam, assistência já existe, dada às condições atuais inadequadas em que atuamos e, a cada dia este sofrimento se eleva. Pensamos que, independentemente, das dificuldades temporárias que enfrentamos, teremos capacidade e competência para resolvermos esta situação, e por isso estamos iniciando uma busca de parcerias com à sociedade do Amazonas para darmos conta desta tarefa.

Nelson Fraiji

Mario Dantas