HORA DE ESCOLHER

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A vida é feita de escolhas. Parece afirmativa oriunda de alguma filosofia de beira de igarapé, mas é verdadeira e quem já não está nos dourados anos da juventude pode lhe confirmar o acerto. A questão que daí decorre está em que não há regras estabelecidas para quem se defronta com a necessidade de optar, no sentido de seguir pelo caminho correto. Como saber, então, se, tomada a decisão, foi ela a que melhor se apresentava? Diante da já falada ausência de regras, esse conhecimento só vai ficar evidente a partir das consequências que advierem, o que, como parece óbvio, torna irreversível a escolha feita.

Depois disso de nada adianta lamentar o posicionamento tomado. É arcar-lhe com os efeitos, sejam eles bons ou ruins. A sabedoria popular traduz essa encruzilhada, lembrando que “não adianta chorar sobre o leite derramado”. É verdade. O que, necessariamente, leva à invocação de outra máxima ao gosto do povo, segundo a qual “quem pariu Mateus que o embale”. E, se quisermos prosseguir nesse tom das citações, não custa acrescentar que “o que não tem remédio, remediado está”, advertência das mais cruéis porque, a um tempo, traduz arrependimento e resignação.

Ponderação, portanto, parece ser o único ponto de apoio ao que se vê diante da necessidade da escolha crucial. Não seja ela confundida com tibieza. Certo é que há momentos em que a própria urgência do assunto não enseja o dispêndio de muito tempo. Não é, porém, o comum das coisas. Postas as cartas na mesa da vida, o jogador há de ponderar tanto quanto lhe seja possível para não incorrer na irreflexão e, com ela, adentrar perigosos terrenos. Isso não é fraqueza e se me é dado dizer, arriscaria afirmar que, muito ao contrário, traduz elogiável sabedoria.

Assim postas as preliminares da questão, enfrento o assunto que me levou a escrever estas mal traçadas. E ele é, nada mais, nada menos, que o segundo turno das eleições em Manaus. Conheço ambos os candidatos que sobreviveram ao turno preliminar. Tenho, pois, que fazer a escolha, já que, como não escaparia ao mais alienado dos cidadãos, a omissão, na hipótese, não poderia ter outro apelido que não fosse covardia. E note-se que, tendo ultrapassado a barreira dos setenta, já não me pesa sobre os ombros a obrigatoriedade do voto, como claramente expressa a Constituição da República, essa mesma que há pouco foi alvo de impublicável ofensa por parte do Supremo Tribunal Federal.

Vamos lá. O doutor Marcelo Ramos aspira a, pela primeira vez, ocupar um cargo de mando no Poder Executivo. Não lhe nego as qualidades, entre as quais, tivesse eu que fazer destaques, mencionaria a persistência e a determinação. São elogiáveis, sem dúvida, mas, a meu sentir, insuficientes para tamanha empreitada. E não me acusem de prejulgamentos. Trata-se apenas daquele exercício de ponderação a que já aludi. E, para afastar a tal acusação, lembro que, faz coisa de uma década, declarei apoio incondicional ao dr. Ramos quando ele, legitimamente, pleiteou obter a presidência da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do Amazonas. Apesar de derrotado, tenho que, ali, naquela ocasião e para aquele fim, a ponderação me indicou o caminho correto e por ele deliberei. Mas dirigir a OAB não tem comparação, nem na forma nem na intensidade, com tomar as nas mãos os destinos de uma cidade que ultrapassou os dois milhões de habitantes.

O outro pleiteante é o doutor Arthur Virgílio Neto. Vem ele de uma administração anterior, na qual, se erros houve (e sempre os há), tive neles participação, já que, com muita honra, exercia eu o cargo de vice-prefeito. Político tarimbado, teve ele um desempenho elogiável no Senado da República, fazendo, como há anos se via, ser ouvida uma voz genuinamente amazonense. No mandato de prefeito que ora exerce e que está por se encerrar, deu prioridade ao processo de modernização da administração pública, logrando enfrentar com destemor e coragem a brutal crise que se abateu sobre o país. Equilibrou as finanças do município, por via de um processo altamente tecnológico de arrecadação, fazendo com que a carga tributária fosse suportada equitativa e proporcionalmente pelo contribuinte. Manaus ganhou vida e se modernizou, saindo de uma vivência provinciana para ocupar o lugar que merece como metrópole.

Isto posto, permito-me recorrer à última das citações, neste texto já tão delas repleto. E é a seguinte: “em time que está ganhando não se mexe”. Vai daí que concluo. Ponderei e fiz a escolha: definitivamente voto 45.

Mario Dantas