Homem que se passava por policial civil é preso com quadrilha envolvida com o tráfico de drogas na cidade

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As investigações em torno do caso foram iniciadas há dois meses

As investigações em torno do caso foram iniciadas há dois meses

Integrantes do Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), sob a coordenação do delegado Thyago Tenório, além de policiais civis lotados no Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), deflagraram ao longo da tarde e noite da última quarta-feira (20), a operação Stive, com o objetivo de desarticular uma quadrilha especializada em aplicar golpe conhecido no meio policial como “Arrocho”, que consiste na abordagem de traficantes, apreensão dos entorpecentes com eles encontrados e posteriormente a venda da mercadoria ilícita. 

De acordo com o delegado Thyago Tenório quatro pessoas foram presas durante as diligências: Raimundo Rodrigues Pereira, 45, conhecido como “Mula”; Agno da Cunha Barros, 37, o “Xamba”; Eloísa Lopes Magalhães, 41, também chamada de “Japonesa da Compensa” e o policial militar reformado Moisés Arão de Lima Serrulha, 39.        

Conforme Tenório, Moisés se passava por policial civil atuante no Denarc e depois de apreender os entorpecentes encontrados com traficantes, contava com a ajuda dos demais infratores para revender a droga e lucrar com o golpe. As informações foram repassadas pela autoridade policial durante coletiva de imprensa realizada na tarde desta quinta-feira, 21, na sede da Delegacia Geral, onde funciona a base do departamento.  

20150521_094225Raimundo e Agno foram presos por volta das 17h, na residência de “Mula”, situada em um conjunto habitacional localizado no bairro Cidade Nova, na zona Norte da capital. No local foram apreendidas três porções grandes e uma pequena de maconha, uma porção de cocaína, uma balança de precisão, R$ 650 em espécie, além de uniformes de um time de futebol patrocinado pelo traficante José Roberto Fernandes Barbosa, o “Zé Roberto da Compensa”, que atualmente cumpre pena no regime fechado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj).

“As investigações em torno do caso foram iniciadas há dois meses. A partir das informações levantadas representamos mandado de busca e apreensão, expedido no último dia 12 de maio pela juíza da 1ª Vara Especializada em Crimes de Uso e Tráfico de Entorpecentes (Vecute), Lídia de Abreu Carvalho Frota. Agno é foragido da Justiça de Belém, no estado do Pará, e tem mais de quinze passagens pela polícia. Raimundo pertence à facção criminosa liderada pelo narcotraficante João Pinto Carioca, o “João Branco”, foragido do Compaj desde março de 2014”, explicou Tenório.

Eloísa foi presa por volta das 18h, na residência dela, localizada no Beco Rodrigues, bairro Compensa 3, zona Oeste da cidade. Segundo Thyago Tenório, durante as investigações foi constatada a ligação dela com a quadrilha. Com ela foram encontradas 90 trouxinhas de maconha do tipo skunk, além de duas porções médias da mesma substância ilícita. “Ela é casada com um traficante identificado como “Gago”, que conseguiu empreender fuga no momento do flagrante. Iremos representar mandado de prisão preventiva em nome dele nas próximas horas”, enfatizou o delegado.

O policial militar reformado Moisés Serrulha foi preso por volta das 21h, em cumprimento a mandado de prisão, expedido na última semana pela juíza Lídia de Abreu Carvalho Frota, da 1ª Vecute. Ele foi abordado em um posto de combustível localizado na Avenida Margarita, bairro Cidade Nova, na zona Norte da capital. “Soubemos que Moisés tinha marcado um encontro com Raimundo no posto com a finalidade de negociar a vendas de drogas. Diante dessas informações fomos ao local no horário combinado e cumprimos o mandado”, acrescentou Thyago Tenório.

Com Moisés foi apreendido um veículo modelo Fiat Palio, de cor verde e placas JXW-4744, além de R$ 2 mil em espécie. Por ser considerada uma pessoa de alta periculosidade, o delegado do Denarc disse que o policial militar reformado poderá ter o porte de arma suspenso.  

Os quatro infratores foram conduzidos à base do Denarc, onde foram autuados por tráfico de drogas e associação para o tráfico de drogas. Ao término dos procedimentos cabíveis na unidade policial, Raimundo, Agno e Moisés serão encaminhados à Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa. Já Eloísa será levada ao Centro de Detenção Provisória Feminino (CDPF).

Curiosidade

O delegado Samir Freire, diretor do Denarc, informou que a operação foi denominada “Stive” em razão de alguns policiais que cometem crimes se tratarem por este codinome para esconderem a verdadeira identidade. 

Roberto Brasil