Grito dos Excluídos reúne cerca de mil pessoas na Avenida Itaúba

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O movimento, que completa 23 anos, é realizado em todo o País (Fotos: Eraldo Lopes)

Cerca de mil pessoas ligadas a Pastorais, Movimentos da sociedade civil, sindicatos, entre outros, se reuniram, na tarde desta quinta-feira (7), para reivindicar políticas públicas na 23ª edição do Grito dos Excluídos, na Avenida Itaúba, zona leste de Manaus.

O grupo, que se reuniu em frente a Escola Estadual Irmã Helena, caminhou até a Bola do Produtor com cartazes pedindo o fim da Medida Provisória que extinguiu a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca).

De acordo com o bispo da Arquidiocese de Manaus, Dom Sergio Castriani, o movimento, que completa 23 anos, é realizado em todo o País. Segundo ele, no Amazonas, os principais grupos que a igreja considera desprovido de direitos básicos no Estado são as comunidades ribeirinhas, indígenas e moradores de periferia na capital do Amazonas.

“A política não nos representa, não representa os mais excluídos. Na verdade, a política vem provocando danos e a prova disso é a corrupção”, ressaltou o líder católico.

Representando a etnia Kokama, Edilene Kokama, 53, participou do evento. Segundo ela, as principais reclamações do grupo estão relacionadas as demarcações e saúde indígena.

Edilene Kokama representou a etnia Kokama

Apresentações teatrais e musicais, feitas por adolescentes e crianças, apresentaram reivindicações sobre a preservação do meio ambiente.

A ideia de fazer o evento no Dia da Independência do Brasil, segundo o representante da Pastoral da Juventude da Arquidiocese, Edney Manauara, ocorre como contraponto a data.

“Estamos aqui justamente para dar um grito de liberdade dos excluídos. Temos vários movimentos que reivindicam a saúde, abordam temas sobre a violência principalmente a segurança, moradia e transporte coletivo”, lembrou.

A Pastoral do Menor e da Juventude vão fazer um momento importante, assim como os indígenas terão um espaço para fazer seus gritos e suas lutas.

Sobre o Grito dos Excluídos

De acordo a CNBB, o Grito dos Excluídos é um conjunto de manifestações populares que vem ocorrendo no Brasil desde 1995, ao longo da Semana da Pátria, no Dia da Independência do Brasil, em 7 de setembro. Estas manifestações têm o objetivo permanente de dar visibilidade aos excluídos da sociedade, denunciar os mecanismos sociais de exclusão e propor caminhos alternativos para uma sociedade mais inclusiva.

Sua origem remonta a Segunda Semana Social Brasileira, promovida pela Pastoral Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada entre 1993 e 1994, quando estava à frente da Pastoral Social o bispo Dom Luiz Demétrio Valentini. Embora a iniciativa esteja diretamente ligada à CNBB, desde o início diversos organismos participam do movimento: as igrejas do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, movimentos sociais, organizações e entidades envolvidas com a justiça social.

Gisele Rodrigues/D24AM

Roberto Brasil