Governo e Prefeitura estudam frear entrada de venezuelanos no AM

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Dados oficiais indicam a presença de 382 venezuelanos da etnia Warao na capital (Foto: Clóvis Miranda)

O Governo do Amazonas estuda controlar a entrada de venezuelanos em Manaus, por meio do “fechamento” das fronteiras do Brasil com o país vizinho. A informação foi confirmada na tarde de ontem pelo próprio governador interino, David Almeida, durante anúncio do plano emergencial de ajuda humanitária aos indígenas que estão na cidade. Um prédio, no bairro Coroado, Zona Leste, será cedido para abrigar os indígenas venezuelanos que estão vivendo nas ruas de Manaus. 

Segundo o governador, a Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) já “dialoga” com a Polícia Federal (PF) para realizar um controle na chegada dos índios venezuelanos a Manaus. Conforme dados da própria secretaria, 382 venezuelanos da etnia Warao estão na capital.

“Existe um diálogo para o controle. Os contatos com a Polícia Federal já foram feitos. Essa situação está sendo analisada. Mas é claro que precisamos resolver esse problema contendo a entrada deles (índios venezuelanos) lá por Roraima, na nossa fronteira. Estamos querendo solucionar a questão de Manaus ser um cartão postal para essa entrada”, disse o governador.

David Almeida não foi o primeiro a se posicionar sobre o controle dos indígenas que migram para Manaus. Após participar de um encontro em Brasília no último dia 11, o prefeito Artur Neto comentou que um “muro” impediria a entrada dos venezuelanos, além de acreditar que a construção de um campo de refugiados “ajudaria” o povo vizinho na fuga de um modelo político falido.

“O governo federal está estudando uma barreira em Pacaraima, onde há 30 mil venezuelanos querendo ir para Boa Vista. Isso mataria a questão por ali, e aqui, com sugestão do ministro Osmar Terra, seria se fazer um campo de refugiados, com ajuda da ONU, OEA, Governo do Estado e Prefeitura. Procurando dar dignidade a quem  foge de um modelo político que faliu e liquidou com as próximas quatro décadas da Venezuela”, afirmou Artur Neto, na ocasião.

Visita técnica

Depois do anúncio de Artur, A CRÍTICA procurou a Organização das Nações Unidas (ONU), o Ministério de Desenvolvimento Social e Agrário (MDSA) e o Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) para questionar sobre o projeto de barrar a entrada de venezuelanos no Brasil e as propostas de construir um campo de concentração e até um muro na fronteira, como revelou o prefeito. No entanto, só o MDSA respondeu, informando apenas que fará uma visita técnica a Manaus, na próxima semana, para traçar uma estratégia conjunta com as secretarias estadual e municipal de assistência social.

(DO PORTAL A CRÍTICA)

Roberto Brasil