Governador José Melo determina estudo para analisar viabilidade de corredor econômico com o Peru

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Considerado rota estratégica do programa peruano de integração regional com o Brasil, o Amazonas será foco de estudo de viabilidade alfandegária e econômica para se tornar corredor comercial bilateral com o país vizinho. Nesta segunda-feira, 13 de abril, o governador José Melo determinou às secretarias de Planejamento, Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Seplancti) e de Fazenda (Sefaz) a criação de um grupo de trabalho para estudar tecnicamente o assunto. Além de intensificar as exportações do Polo Industrial de Manaus (PIM) para o Peru, a expectativa é facilitar a entrada no Estado de produtos do catálogo peruano que possuem preços mais baixos.

A decisão de José Melo foi anunciada após reunião com o embaixador do Peru, Jorge Bayona Medina, e o cônsul do País, ministro Eduardo Rivoldi. O encontro ocorreu nesta segunda-feira na sede do Governo do Estado, no bairro da Compensa II, zona oeste de Manaus, com a presença dos secretários da Sefaz, Afonso Lobo, da Seplancti, Thomaz Nogueira, e do secretário executivo de Relações Internacionais, Farid Mendonça. Para o governador, o projeto de integração apresenta vantagens econômicas para o Estado. Em outro ponto da parceria, o governo amazonense espera abrir um voo internacional entre Manaus e Lima, a capital do Peru, oferecendo alternativa para turistas europeus viajarem ao país vizinho.

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O governo do Peru possui três grandes projetos de integração com o Brasil em negociação com o Governo Federal e com Estados da região Norte. O objetivo é facilitar a exportação peruana para a África e Europa, através do Brasil, oferecendo em troca uma rota alternativa para mercadorias brasileiras chegarem à Ásia. Os projetos envolvem a criação de um complexo logístico composto por estradas, ferrovias e hidrovias. Com o Acre, o governo peruano já possui um acordo em execução. “O trabalho diplomático agora vai evoluir para identificar empresários interessados e avançar nessas negociações. É necessário termos uma relação forte com o Peru por meio de nossas hidrovias”, frisou José Melo.

Segundo o governador, além do marco legal, é preciso tornar a parceria atrativa para os empresários. As questões alfandegárias são as principais barreiras a serem superadas. O ganho viria com melhores condições para a exportação de produtos da indústria incentivada do PIM, além da atração de investidores peruanos. A importação de produtos como cimento e potássio também entra em pauta.

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O embaixador do Peru, Jorge Bayona, disse que a proposta do país é estabelecer uma aliança estratégica bi-oceânica com o Brasil que permita a integração regional e vantagens econômicas mútuas. Do programa peruano, um dos projetos de destaque é o Eixo-Amazonas, uma hidrovia para exportação de produtos até a África e Europa, acessando o oceano Atlântico pelo Rio Amazonas. Com isso, espera-se chegar a um acordo com o governo estadual para estabelecer acordos que intensificam o comércio bilateral e o turismo.

“Considero que esse processo é um dos mais importantes. Se observamos o mapa da América do Sul é uma questão interessante. Brasil e Peru ocupam área estratégica e precisamos ter uma relação mais forte”, afirmou o embaixador.

Apesar de terem investido algo em torno de US$ 800 milhões na economia brasileira, os empresários peruanos não possuem aplicações diretas na indústria do Amazonas, conforme a Seplancti. Ainda assim, é um mercado de exportações considerável para o PIM. Ano passado, o volume de vendas chegou a US$ 30 milhões, com destaque para produtos como minérios, combustíveis e motocicletas.

Mario Dantas