Golpista que vendeu passagens aéreas falsas é preso após denúncia de vítimas

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Ele usava redes sociais para anunciar promoções com bilhetes mais baratos que no mercado (Foto: Gilson Mello)

Um homem foi preso por mandado judicial na manhã desta quarta-feira (7), em Manaus, acusado de enganar pelo menos 36 pessoas na capital com a venda de falsas passagens aéreas em uma agência de turismo da cidade. Segundo a polícia, Marcos Rogério Ribeiro Fonseca, 39, usava redes sociais para anunciar promoções com bilhetes mais baratos que no mercado e atuava num prédio fixo, o que convencia as vítimas. O preso tem 36 boletins de ocorrência contra ele e 27 processos na Justiça.

“Ele trabalhava numa agência de viagens física, na época no Centro, e realizava promoções com valores muito atrativos. As pessoas viam nas redes sociais e ligavam confirmando que realmente existia (a agência)”, afirmou o delegado Jeff Mac Donald, titular do 6º Distrito Integrado de Polícia (DIP). “Um grupo de sete amigos chegou a realizar a compra de R$ 6 mil em viagens. Ele realizava o pagamento, a maquineta do cartão de crédito passava e ele emitia um voucher e um recibo, aí dizia ‘daqui uma semana te dou localizador’”.

Conforme o delegado, só depois as vítimas percebiam o golpe. “Teve uma pessoa que foi até o aeroporto para embarcar e não conseguiu porque a passagem não havia sido emitida. Dessa forma as pessoas constataram que era um golpe e começaram a procurá-lo. Só que ele já tinha fechado essa agência dele e se mudado, e não atendia o telefone. As vítimas ligavam para o aeroporto, para a operadora e ela negava. Teve um caso em que ele chegou a ir na casa da vítima e realizou o pagamento com cartão lá, venda delivery”, disse Mac Donald.

Preços e destinos

Segundo investigações da Polícia Civil, as passagens aéreas custavam bem abaixo do mercado, de R$ 300 até preços mais elevados, com destinos para todo o Brasil. “Variava muito. Tinha de R$ 600, de R$ 500. Teve passagem de ida e volta de R$ 300“”, explicou o delegado. “Todos os destinos que verifiquei era para o Nordeste, Sudeste e o Sul do País. A prática delituosa dele foi de grandes proporções, um estrago financeiro para essas pessoas. Chega a um valor aproximado de R$ 40 mil ou mais”.

Conforme o delegado Jeff Mac Donald, o acusado do crime agia sozinho. “Pelo o que constatei, (ele agia) só. Ele trabalhava numa agência de viagens como um funcionário normal, mas com certo status, gerente ou diretor”. Segundo o delegado, não há informações na Polícia Civil que relacionem os proprietários das agências ao crime de estelionato. “Essa parte está em trâmite judicialmente, não tem como precisar”.

Nega os crimes

O acusado do crime falou com a imprensa e negou os golpes. “Eu não enganava as pessoas. Eu era proprietário de uma agência desde 2009, a União Turismo, ali no Centro. Desde 2009 a 2013 trabalhávamos tranquilamente. Vendia as passagens, as pessoas viajavam, a gente tinha convênio com algumas empresas, mas teve um problema administrativo, um erro de emissão, que ocasionou uma dívida de R$ 85 mil com um funcionário nosso. Tentamos reverter as coisas, mas não conseguimos”, disse Marcos Rogério.

“Ligamos para todas as pessoas, ‘olha, sua passagem que ainda vai acontecer, a gente vai tentar resolver assim e assim. Só que um cliente meu, o Júnior, que trabalha num jornal e é muito influente na mídia, começou a colocar (notícias) nos jornais e veículos. E todo mundo começou a se revoltar. Tinha gente que estava com bilhete ativo, chegava na loja e pedia para cancelar porque não confiava mais no trabalho da gente”, contou Rogério. “Mas se puxar os processos, estão todos resolvidos”.

Vítima do crime

Uma industriária de 39 anos que foi vítima do golpe compareceu hoje ao 6º DIP para prestar depoimento. Ela também falou com a imprensa. “Eu ia viajar para o Rio de Janeiro. Ele foi indicado por uma pessoa conhecida minha que já tinha comprado com ele, mas na época não tinha essas notícias de estelionato. Ele foi até minha casa (em janeiro de 2016) e compramos a passagem para viajar em março, abril. Quando estava próximo da data, a gente começou a ligar para ele, e nada. Ele respondeu algumas vezes, mas depois sumiu, mudou de número”, disse.

A mulher gastou cerca de R$ 1.300 com duas passagens de ida e volta, Manaus/Rio de Janeiro/Manaus. “Depois a gente ficou sabendo que ele vendia as passagens por milhas. Tinha lá um comparsa de Santa Catarina, onde ele passava os cartões para essa pessoa física. Em vez de passar para agência, passava para essa pessoa física. Pelo o que foi relatado, as passagens não eram vendidas através da agência, ele pegava uma parte em dinheiro com as pessoas e o restante para a conta dessa pessoa”, falou.

Nova agência

Após negar o crime, o acusado confirmou que atualmente possui uma nova agência de viagens chamada Só Milhas, que fica na rua Alexandre Magno, no bairro Parque Dez, na Zona Centro-Sul da capital. “Trabalho em uma (agência) hoje atendendo alguns clientes que atendia antes, alguns que ficaram. É um pequeno espaço, que fica na rua Alexandre Magno, o Só Milhas. Lá está tudo normal, as pessoas estão viajando. A agência está começando comigo”.

Preso com mandado de prisão preventiva por estelionato, agora Marcos Rogério Ribeiro Fonseca será encaminhado ao Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM), localizado no Km 8 da rodovia federal BR-174, onde ficara à disposição da Justiça. Além dos 36 boletins de ocorrência contra ele, ele já responde a 27 processos na Justiça pelos mesmos crimes.

(Com Portal A Crítica)

Roberto Brasil