Fruticultura orgânica e de cunho familiar em Rio Preto da Eva recebe apoio do Governo do Amazonas

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Com uma cadeia frutírifera fortalecida por meio de associações organizadas, o município de Rio Preto da Eva (a 60 quilômetros de Manaus) é hoje modelo de produção agrícola familiar e de origem orgânica, cujos produtos, alem de abastecer o mercado consumidor de Manaus, já são exportados para outros Estados. Exemplo disso é a produção de laranja, cuja perspectiva de colheita para este ano é de 154,2 milhões de frutos em uma área de 1.476 hectares plantados.

“Este ano já conseguimos mandar mais de 200 mil frutos para Boa Vista (RR), somente com a produção de uma única propriedade e fora do período de safra”, explicou o gerente da Unidade Local do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal do Estado do Amazomas (Idam), Jose Maria Frade Jr.

Além da laranja, o município se destaca pela produção de banana, com uma safra de 407 milhões previstos para este ano; e de mamão, cuja colheita deverá alcançar 350 toneladas até o mês de dezembro, segundo informações do Idam local.

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O objetivo é aumentar, nos próximos anos, o potencial produtivo do município que conta com 42 associações e três cooperativas organizadas no setor primário, representando 1,5 mil famílias produtoras na cidade. Para isso, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Produção Rural e Sustentabilidade (Sepror) entregaram um kit de equipamentos e implementos agrícolas composto de trator jerico 250, um micro trator completo e dois trituradores (um grande e um pequeno) para a melhoria da produtividade agra ecológica e orgânica do município.

Um trator agrícola Massey Ferguson, modelo 4250, foi entregue à Associação de Produtores Rurais da Comunidade Jose Lindoso (Asprolin) pela Fundação Banco do Brasil. De acordo com o superintendente do BB no Amazonas, Edson Branco, que fez o repasse da doação à comunidade, o município tem um modelo de produção eficiente, haja vista que é um dos que detém os menores índices de inadimplência de financiamentos junto à instituição financeira dentro do Estado. Ao todo, Rio Preta da Eva possui um montante de R$ 15 milhões em crédito rural contratado com varias instituições.

“Estamos organizando um estudo de reestruturação do funcionamento da Central de Abastecimento, localizada no km 2 da rodovia Manoel Urbano, logo após a ponte Rio Negro. Queremos que ali funcione um centro de venda atacadista da produção oriunda da Região Metropolitana de Manaus e isso inclui o município de Rio Preto da Eva, que é um dos mais organizados no setor primário”, afirmou o secretário de estado de Produção Rural e Sustentabilidade (Sepror), Sidney Leite.

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O secretário lembrou ainda que outra medida para lavancar a produtividade no município é a regularização fundiária, por meio do Cadastro Ambiental Rural (CAR). “Com o documento da terra legalizado, o acesso ao crédito fica mais fácil e o produtor tem condições de investir mais”, afirmou. Um mutirão de cadastramento acontece esta semana no município e tem como meta realizar 500 cadastros.

“Temos muitos casos de sucesso a partir da união do Estado com produtores e iniciativa privada, por meio de financiamento. No sítio Vó Irene, por exemplo, temos um produtor que conseguiu alcançar a produção de 50 toneladas de banana/ano em 2 hectares de terra, tocado apenas por ele e pelo filho. O solo era ruim porque era usado apenas para a produção de carvão. O trabalho dos técnicos do Idam recuperou a terra e somente com técnicas de manejo, vem ampliando esse montante há cinco anos. Hoje o produtor já esta terminando de pagar o financiamento junto à Afeam e já tem outro, feito para a compra de uma pick-up que ajuda no escoamento”, explicou o presidente do Idam, Edmar Vizolli. Rio Preto da Eva conta hoje com 80 produtores de banana.

A busca de mercado para escoamento dos produtos é uma das tarefas que a Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (ADS) vem mantendo a fim de garantir o pagamento do melhor preço para o agricultor. De acordo com o presidente da autarquia, Miberwal Jucá, o objetivo é fazer com que o produtor possa vender diretamente a compradores como Governo do Estado e Prefeituras, para abastecimento da merenda escolar, como é o caso de Rio Preto da Eva, além de grandes redes de comércio.

De acordo com o secretário municipal de Produção Rural, Marivan Marinho, para atender a compra feita pelos programas dos governos e o mercado consumidor de Manaus, a produção é escoada as quartas e sextas-feiras em quatro caminhões da Prefeitura, que recebem apoio para combustível por meio da Sepror. “Além da parte de fruticultura, estamos buscando organizar o mercado de piscicultura. Rio Preto da Eva é hoje o terceiro município em potencial para a produção de peixe. Hoje já temos 300 hectares de lâmina d’água nas três modalidades de criação: tanque escavado, barragem e canal de igarapé”, disse. As principais espécies produzidas são Tambaqui e Matrinxã.

Mario Dantas