Feira literária reúne autores e leitores na Ufam

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ajuri-livros-ufam-1Usado por nativos da Amazônia, o termo ajuri (mutirão, trabalho coletivo) foi “emprestado” por professores, pesquisadores e artistas para dar sentido à ação cultural realizada pelo Comando Local de Greve (CLG) na sexta-feira (10), no hall do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) da Universidade Federal da Amazonas (Ufam): uma feira de livros e fotografias realizada a partir de doações e um esforço conjunto em defesa da autonomia, do conhecimento e da livre crítica na universidade.

Durante o ‘Ajuri da Autonomia’, representantes dos três segmentos da comunidade acadêmica tiveram acesso a cerca de 200 títulos disponíveis a preços simbólicos que variaram de R$ 2 a R$ 20. Além disso, como parte da programação, os presentes puderam compartilhar experiências com os autores de livros lançados.

ajuri-livros-ufam-2A professora Nícia Zucolo, do Departamento de Língua Portuguesa não perdeu a oportunidade e adquiriu cinco títulos. “São livros que dizem respeito, de uma maneira ou outra, aos assuntos que eu pesquiso. Por isso, quis aproveitar a oportunidade de contribuir [com o movimento] e de receber também”, disse. Atualmente, Nícia está desenvolvendo um projeto de pesquisa que estuda a relação entre “violência e gênero”.

Dos doze títulos, nove obras foram escritas por mulheres. “São dissertações de mestrado, teses de doutorado e trabalhos de pesquisa em conjunto. Seu volume, qualidade e diversidade refletem o alto nível da produção e o grande comprometimento destes professores e professoras com a divulgação do conhecimento que é a marca da universidade pública”, disse a professora de História Patrícia Sampaio, autora de “Os fios de Ariadne: fortunas e hierarquias sociais na Amazônia, século XIX”.

ajuri-livros-ufam-3Os livros são das mais variadas áreas do conhecimento: geografia, direito, antropologia, administração, educação ambiental, literatura e dramaturgia, como a obra “Nós atados”, da professora Nereide Santiago. “Esse livro é fruto da minha experiência teatral e enfoca um espetáculo que montamos em Manaus nos anos de 2008 e 2009”, explicou a autora.

Entre as obras, destaque também para trabalhos que dão vez e voz às mulheres, como o título “Gênero e Imprensa na História do Amazonas”, Maria Luiza Ugarte, organizado a partir da documentação disponível no Laboratório de História da Imprensa no Amazonas da Ufam. “A ideia do livro foi trazer, a partir da pesquisa em periódicos publicados no Amazonas entre 1850 e 1970, representações do feminino, de vozes que ficaram mudas durante muito tempo, de vozes que foram caladas e cujo silencio não só é delas, mas da historiografia”, disse.

ajuri-livros-ufam-4‘Olhar humanístico’

Durante a feira, o público também pode conferir e adquirir imagens de paisagens da Amazônia, feitas pelo geógrafo e fotógrafo André Zumak, em viagens a passeio, trabalho ou mesmo com o olhar mais atento em atividades de pesquisa pela região. “Cada imagem tem uma história, mas a ideia central é mostrar outra Amazônia, com um olhar mais humanístico”, disse Zumak.

Na exposição, fotografias de paisagens do Alto Rio Negro que chamam atenção inclusive de quem é natural de algum município daquela região e cresceu diante daquela paisagem. Caso da professora Rita Floramar, do departamento de Educação Escolar Indígena, da Faculdade de Educação (Faced), que nasceu em São Gabriel da Cachoeira e regulamente retorna ao local para ministrar atividades da licenciatura indígena. “No papel a paisagem está sempre presente. É como se eu estivesse lá”, disse a docente, depois de adquirir algumas imagens.

ajuri-livros-ufam-5Em virtude do sucesso da feira, o CLG estuda a possibilidade de inclui-la como atividade permanente da programação da greve dos professores da Ufam, mas no formato itinerante, chegando a outras unidades acadêmicas do Campus Universitário. “A feira é um trabalho coletivo, de solidariedade, de compromisso e que traduz a imensa alegria que temos em compartilhar esse momento”, afirmou a professora Ivani Faria, da Licenciatura Indígena/ICHL e do Departamento de Geografia, uma das organizadoras da feira.

Roberto Brasil