Falta de procura causa desperdício de vacinas e dinheiro público no AM

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Em 2016, foram compradas 144 mil doses contra o HPV, mas só 57 mil foram aplicadas

A falta de conscientização da população ainda é um dos principais desafios da saúde pública no Amazonas quando o assunto é vacinação. Apesar de um estoque expressivo de vacinas contra, por exemplo, o papilomavírus humano, causador de doenças sexualmente transmissíveis e o câncer de colo de útero, o índice de pessoas que procuram a imunização ainda é baixo e causa graves prejuízos aos cofres públicos com o desperdício e a alta taxa de infectados.

Segundo dados da Fundação de Vigilância em Saúde no Amazonas (FVS-AM), no ano passado, o Amazonas recebeu 144,1 mil  doses de vacina contra HPV, sendo que apenas 57,7 mil  foram aplicadas. Em 2017, foram recebidas, de janeiro a junho, 55,3 mil doses, sendo 41,4 mil pessoas imunizadas.

Cada dose da vacina contra o HPV custa, em média, R$ 350. Se levados em consideração que 86 mil pessoas do publico alvo não foram se vacinar, o governo federal gastou a toa aproximadamente R$ 30,2 milhões.

Para evitar perda de medicamentos, vacinas são remanejadas para municípios com maior procura.

O diretor-presidente da FVS, Bernardino Albuquerque, no caso do HPV, o que ainda falta é a conscientização e instrução para que os  pais  levem seus filhos às Unidades Básicas de Saúde (UBS) para receberem as doses da vacina. Bernardino também  alerta sobre a importância de receber todas as etapas. “A vacina está lá nas unidades de saúde, mas, além disso, nós temos campanhas em determinados momentos do ano. Agora em setembro, por exemplo, vamos ter uma campanha para atualizar o calendário vacinal das crianças. Acredito que falta mais iniciativa e conscientização dos pais. O que a gente ainda tem é a dificuldade dos pais levarem essas crianças para serem vacinadas”, disse.

Essa atitude dos pais pode gerar prejuízos aos cofres públicos com o desperdício de vacinas, além de aumentar o número de pessoas infectadas em virtude da falta de imunização. A solução, segundo Bernardino, é o remanejamento do medicamento para os municípios com grande adesão. “É identificado qual o município que está baixa adesão e o com grande procura, então se faz a transferência dessas vacinas para que não haja prejuízos”, explicou.

Outra medida que está sendo estudada pelos municípios é que as escolas também  sejam postos de vacinação em alguns períodos do ano facilitando que as crianças sejam vacinadas. “É uma ótima forma de ajudar que essas crianças recebam a vacina, que o calendário esteja em dias e que não haja perda dessas vacinas. Mas é importante também a atitude dos pais, as crianças e adolescentes precisam ser levadas pelos pais porque muitos acham que já se governam”, avalia.

Público alvo

A dona de casa Adriana Silva Alves, 42, contou que levou a filha, de 11 anos, esse ano para receber a primeira dose da vacina contra o HPV, mas confessou que não entendia o motivo até ser confrontada por uma enfermeira.

“Eu, na verdade, não sabia os motivos dela precisar tomar essa vacina. Eu sabia que era importante, mas não sabia como explicar para minha filha, até que a enfermeira me explicou que previne até contra o câncer no útero”, disse.

O público alvo da vacina contra o HPV são meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14. Contudo, a partir do próximo ano, a vacina será ampliada também para meninos de 9 anos de idade. No caso das mulheres, a vacina previne o câncer de colo de útero, além de doenças sexualmente transmissíveis como verrugas genitais que podem evoluir para doenças mais graves.

Duzentas mil doses sobraram

Em 2016, foram enviadas para o Amazonas  1.047,900 doses de vacina contra a influenza. Porém, apenas 818.191 mil foram aplicadas, enquanto, nos seis primeiros meses desse ano, o Estado recebeu cerca de 2.164,600 mil e imunizou 886.613 pessoas.

Com relação a tetra viral, que previne contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela, o estado recebeu 108 mil doses no ano passado e 59.772 mil pessoas foram vacinadas. Nos primeiro semestre desse ano, o Amazonas recebeu 47.700 mil vacinas e imunizou 29.087 pessoas.

Portal A Crítica

Roberto Brasil