Falta de dragagem deixa rio Madeira em situação crítica

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madeiro-secaA baixa navegabilidade do rio Madeira, um dos principais corredores logísticos da região Norte, causa prejuízos aos consumidores do Amazonas. De acordo com o deputado Dermilson Chagas (PEN), apesar da seca no rio, ocasionada pelo verão amazônico, o atraso da licitação da dragagem pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), agrava a situação já que o procedimento não foi realizado no período previsto, julho de 2016.

Chagas, que preside a Comissão de Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPPADR) da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), explica que com a baixa navegabilidade, os custos do transporte de carga e combustível aumentam e o valor é repassado ao consumidor final.

“A carga já foi reduzida em 40% nas balsas, que precisam navegar em baixa velocidade. Por causa dos bancos de areia, é necessário um batedor que vai à frente para sinalizar o trecho mais navegável. Isso tudo gera custo e quem paga são os consumidores. Se dragagem tivesse sido feita, o problema não seria tão grave”, afirma o parlamentar.

O calado das balsas que transportam carga no rio Madeira é de aproximadamente cinco metros. Com a seca agravada pela falta da dragagem, o rio Madeira atingiu 2,7 metros em alguns trechos. A dragagem foi estimada em R$ 81.825.643,70, no primeiro semestre de 2016 e estava prevista para começar em julho, sendo realizada periodicamente por 60 meses.

Dermilson também ressalta que o baixo nível do rio pode prejudicar o abastecimento e provocar o isolamento das cidades banhadas pelo Madeira. “As consequências serão a falta de suprimentos para o Amazonas e de combustível para Rondônia”, explica o deputado. “Estamos torcendo para que o Governo Federal olhe a necessidade da BR-319 para resolver esse gargalo no nosso Estado. O isolamento vai prejudicar o desenvolvimento e o investimento na região”, afirma.

Privatização – No Amazonas, aproximadamente 200 mil pessoas moram em municípios banhados pelo Madeira, dependendo direta e indiretamente do curso dos rios para sobrevivência. Outras questões ligadas ao Madeira já foram denunciadas na Aleam por Dermilson, desde maio de 2015. Na época, o então representante do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Evainton de Oliveira, declarou que o Governo Federal tinha a intenção de privatizar o rio para cobrir custos de dragagem provocados pelo assoreamento decorrente da construção das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, em Rondônia.

A afirmação foi feita durante Audiência Pública realizada na pela Comissão presidida por Chagas após denúncias da Federação Nacional das Empresas de Navegação Aquaviária (Fenavega). Ao justificar a privatização, o representante do Dnit afirmou, à época, que o tempo de dragagem do rio, necessária para manter a navegabilidade, diminuiu de cinco para um ano, após as obras das hidrelétricas.

Roberto Brasil