Extrema-direita está às portas de chegar ao Parlamento alemão

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Vitória projetada. Visitantes observam a imagem de Merkel durante o espetáculo no Parlamento alemão sobre a história da instituição. Eleição pode dar 4º mandato à chanceler (Foto: Tobias Schwarz/AFP)

BERLIM – Enquanto a disputa entre Angela Merkel, da coligação conservadora CDU/CSU, e Martin Schulz, do social-democrata SPD, parecia definida três dias antes da votação de hoje — as pesquisas indicam que a chanceler deve ter de 13 a 15 pontos a mais que o concorrente — quatro partidos competiam palmo a palmo pelo terceiro lugar. Para Gero Neugebauer, cientista político da Universidade Livre de Berlim, a disputa oferece a maior chance de suspense: a legenda que levar a terceira posição terá um papel privilegiado no Parlamento, com o possível direito de comandar o banco da oposição ou até se sentar ao lado da chefe do governo numa eventual coalizão.

Mas uma previsão sobre os possíveis resultados dos “nanicos” é difícil: primeiro porque os eleitores que planejam votar na extrema-direita do Alternativa para a Alemanha (AfD) receiam críticas e, por isso, não revelam sua opção; e, segundo, o resultado dos outros pequenos — FDP, Verdes e A Esquerda — sofre vários fatores.

— Os resultados do FDP e dos Verdes podem ser determinados pelos “votos estratégicos”, de pessoas que dão seus dois votos com o objetivo de influenciar uma possível coalizão, enquanto os da Esquerda e do AfD podem ser de protesto, como acontece com frequência no Leste — diz o analista.

Pelo sistema eleitoral alemão, no primeiro voto o eleitor opta por seu candidato preferido a deputado federal. No segundo, escolhe o partido, que por sua vez pode eleger o chanceler se obtiver maioria, própria ou com um parceiro de coalizão.

Para Mathias Jung, do Instituto Wahlen, o maior desafio da pesquisa eleitoral é fazer uma previsão sobre o AfD, que tem intenção de voto em torno de 10%, mas pode obter mais, como aconteceu no ano passado na eleição estadual da Saxônia Anhalt, onde a extrema-direita foi o segundo partido mais votado, com 23%, ficando acima da CDU. Além disso, quase 40% dos eleitores ainda estavam indecisos às vésperas do pleito.

Fundado em 2013 em protesto contra a política para a crise do euro de Merkel, o AfD cresceu rapidamente. Nas eleições federais daquele ano, ficou com 4,8%, perdendo por dois pontos percentuais a chance de entrar no Parlamento.

(com Agência O Globo) 

Roberto Brasil