Exército Brasileiro pode suspender atendimento hospitalar em São Gabriel

By -
O governo estadual não estaria fazendo o repasse de verba há sete meses

O governo estadual não estaria fazendo o repasse de verba há sete meses

O governo do Estado mantém um convênio com o Exército, para prestação de atendimento médico em São Gabriel da Cachoeira (a 853 km  km de Manaus), mas como o repasse de verbas não é feito desde novembro de 2015, o Hospital de Guarnição pode parar de atender a população daquele município a partir de 1º de agosto. A informação é de Gabriel Melo da Silva, integrante do Condisi (Conselho Distrital Indígena), que veio a Manaus para expor a situação, depois de conversar com a direção do hospital no município e com o comando da 12ª Região Militar em Manaus.

“O hospital é do Estado, administrado pelo Exército, mediante um convênio que gira em torno de 3,5 milhões de reais por ano, sendo o repasse feito em parcelas mensais. De acordo com os comandantes, eles só têm como sustentar a situação até 1º de agosto. Se o governo não fizer os repasses, eles irão retirar os militares que trabalham no hospital e deixar o hospital direto para o governo”, afirmou o denunciante, que procurou o deputado Vicente Lopes (PMDB) para explicar a situação e solicitar apoio junto ao governo. Para o conselheiro, a questão da saúde de São Gabriel se tornará um caos, se o Exército se retirar do hospital. Inclusive porque todos os médicos especialistas são do Exército: o Estado tem apenas enfermeiros e técnicos de enfermagem.

“Se o Exército devolver os militares para as brigadas e passar a atender apenas os próprios militares e seus dependentes, a população civil ficará entregue à própria sorte.  Se realmente o Exército sair, os que ficarem doentes serão colocados num barco e encaminhados para os hospitais de Manaus, porque não temos como tratar os pacientes em São Gabriel, com uma população de 50 mil habitantes”, explicou o conselheiro, acrescentando que, apesar do Exército, o hospital “tem deficiência grande porque o Estado não honra com sua parte de mandar profissionais especialistas” para o município.  O hospital conta com uma quantidade pequena de especialistas, considerando-se o tamanho da população e com uma possível retirada do Exército, a í que é a situação ficará mesmo “caótica”, garante.

Tríplice Fronteira

O conselheiro Gabriel da Silva faz questão de esclarecer particularidades do município de São Gabriel, onde 90% da população é indígena, com 23 etnias. “A demanda (por atendimento médico) é muito grande, levando em consideração que são atendidos os militares, seus dependentes, toda a população civil de São Gabriel, além dos municípios de Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e mais os estrangeiros oriundos da Colômbia e da Venezuela, porque fazemos parte da tríplice fronte. Então, tudo isso complica ainda mais a situação”. Para o deputado Vicente Lopes, o caso de São Gabriel  mostra como o governo vem tratando a questão da saúde, tanto na capital quanto no interior.  Ele se declara inconformado com o que está acontecendo em São Gabriel, espera uma solução do governo e está disposto a recorrer ao Ministério Público, porque a população não pode ser ainda mais prejudicada.

Roberto Brasil