EXCLUSIVO: “Duvido que o Rocha Loures vá me denunciar”, diz Temer

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“Presidente, estamos gravando, ok?”. Em reação à primeira pergunta formulada pela reportagem de ISTOÉ na manhã de quinta-feira 1, no gabinete presidencial, o presidente da República, Michel Temer, respirou fundo, fitou os quatro gravadores ligados ao seu lado e sapecou: “Mas gravando às vistas, né? Não como o outro lá”. E riu. A brincadeira do peemedebista guarda relação, obviamente, com a gravação clandestina realizada pelo empresário Joesley Batista, da J&F, responsável por mergulhar o governo na mais aguda crise desde a posse. Escaldado, o presidente mandou instalar em seu gabinete aparelhos capazes de identificar grampos indesejados. “Se tivéssemos esse detector aqui hoje, teríamos que desligá-lo porque ele começa a apitar”.

Na entrevista à ISTOÉ, Temer fez outras revelações. O presidente admitiu que poderá trocar o comando da Polícia Federal, mas garantiu que a Lava Jato não sofrerá interferências. Disse ter o direito de supor estar sendo vítima de um complô para derrubá-lo, mas afirmou ter o apoio do Congresso Nacional. Reconheceu que falhou ao receber pessoas fora da agenda, mas que não se arrepende de nada do que fez no exercício da Presidência. Sobre aquele que representa hoje a maior ameaça a ele, o ex-assessor Rocha Loures, flagrado com uma mala de R$ 500 mil, Temer demonstrou uma inquietante tranqüilidade. “Duvido que o Rocha Loures vá me denunciar”.

(Da ISTOÉ)

Roberto Brasil