Ex-diretor do FBI diz que Trump mentiu e acusa presidente de difamação

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James Comey afirmou que Trump difamou a ele e ao FBI. Casa Branca rebateu declarações, e disse que ‘presidente não é um mentiroso’

O ex-diretor do FBI James Comey iniciou seu depoimento ao Comitê de Inteligência do Senado norte-americano nesta quinta-feira (8) dizendo que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mentiu e o difamou, além de ter difamado também o FBI, quando demitiu o ex-chefe do órgão, em maio.

Um dia antes, em depoimento prévio enviado ao Senado, o ex-diretor relatou ter sido pressionado por Trump a livrar o ex-conselheiro de Segurança Nacional Michael Flynn das investigações. Além disso, Trump questionou se o ex-diretor do FBI era leal a ele e se gostava do seu trabalho na chefia da agência.

Nesta quinta, Comey iniciou o depoimento falando sobre as circunstâncias de sua demissão. Comey se disse “confuso” com as mudanças de versão da Casa Branca sobre sua demissão, especialmente a primeira delas –que ele havia sido dispensado por causa de sua atuação durante a investigação sobre os e-mails de Hillary Clinton na eleição de 2016. “Isso não fez sentido nenhum para mim.”

“Eu entendo que o presidente pode demitir o diretor do FBI sem nenhum motivo. Mas fiquei confuso, porque ele me disse repetidas vezes que eu estava fazendo um bom trabalho. Depois, a Casa Branca escolheu me difamar e, mais importante, difamar o FBI, quando o presidente disse que o órgão estava em ‘desordem’, era mal liderado e seus funcionários tinham perdido a confiança em seu líder. São mentiras, puras e simples. E lamento que o FBI teve que ouvir isso”, disse Comey.

Comey afirmou ainda que o FBI “vai sobreviver” sem ele e ressaltou que a entidade é “séria, inocente e independente” nas investigações que faz.

Comey comandou o FBI (a polícia federal americana) até 9 de maio, quando foi demitido por Trump. Ele assumiu o órgão em 2013, durante o governo Barack Obama, e tinha mandato até 2023. Ele era o responsável por liderar as investigações sobre a suposta influência russa nas eleições presidenciais americanas do ano passado, incluindo as suspeitas de ligações entre agentes do Kremlin e membros da campanha de Trump.

(Com UOL)

Roberto Brasil